domingo, dezembro 14, 2008

É bom trabalhar nas obras







A propósito da inauguração da nova Buchholz, e da foto-reportagem dos Blogtailors: o senhor Alberto permite que se faça o pagamento em prestações, é de confiança e faz um excelente trabalho. Ele agora anda aí um bocado atrapalhado e teve que contratar uns ajudantes, mas de certeza que arranjava um bocadinho para tratar disso. Qualquer coisa, é só pedirem-me o número.

Ah, também gostei das declarações de Sérgio Moreno, porta-voz da Fundação Agostinho Fernandes, proprietária da livraria: «mesmo num momento de crise internacional, a melhor resposta continua a ser o trabalho na cultura».

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Depois da cerveja e de um canal de TV, só faltava mesmo a Bíblia

Está a chegar, mesmo a tempo do Natal, a Bíblia do Benfica, recheada de factos históricos curiosos e nada tendenciosos, como este:

«A cortina de seda

A 6 de Janeiro de 1929, o Benfica alcançou um feito histórico para o futebol português: venceu o poderoso Ferencvaros, considerado o campeão da Europa Central. Os húngaros deslocaram-se a Lisboa para realizar quatro jogos particulares. Golearam Belenenses (6-0), Sporting (6-0) e V.Setúbal (4-1). Com o Benfica a história foi diferente. Os encarnados venceram por 1-0 naquele que foi considerado, durante muitos anos, o melhor resultado do futebol português.»

Com um pvp de 13,30€, e editado pela Prime Books, esta obra, com prefácio de Rui Costa, está já disponível numa livraria perto de si.

sexta-feira, novembro 28, 2008

O sentido de oportunidade é tudo

Ontem foi o dia em que, no Público, a notícia de capa dizia: «Banca e Constâncio impõem saída de João Rendeiro para salvar BPP». Dizia-se ainda que essa «é a única solução à vista para evitar a falência do Banco Privado Português».

Foi também o dia em que recebemos o novo livro da editora bnomics, intitulado João Rendeiro - Testemunho de um Banqueiro, que traz duas brilhantes chamadas de capa: «A história de quem venceu nos mercados» e «Invista com segurança - 10 conselhos».



Uma coisa é roubarem-nos um bocadinho de vida todos os meses, outra é esfregarem-nos isso na cara.

quarta-feira, novembro 26, 2008

segunda-feira, novembro 24, 2008

O rumo da literatura mundial (após Dan Brown) num parágrafo

«Nesta história - que vai muito além da simples perseguição a seitas hereges - Valerio Evangelisti funde narrativa histórica, ficção científica, thriller político e romance de intriga. Assim uma missão aparentemente rotineira do sombrio padre Nicolas Eymerich ganha contornos gigantescos e perigosos, e o que parece estar em jogo não é apenas a sobrevivência da fé católica, mas o próprio futuro da humanidade. Em planos temporais distintos, mas habilmente interligados, que vão desde a Idade Média, passando pela Alemanha nazi e até à Roménia recentemente libertada da tirania de Ceausescu, desenrola-se um complexo jogo no qual cultos hereges e ciência genética se misturam e se confundem na busca pelo poder e pela imortalidade.»

O novo livro de Valerio Evangelisti, As Correntes da Inquisição, está a chegar às livrarias, pelas mãos da Asa. Que refere estarmos perante "uma obra marcante e original" (Le Monde).

Gosto particularmente da expressão "romance de intriga". Não confundir com as dezenas que andam aí apenas a relatar perseguições a seitas hereges, que disso já estamos fartos. A inovação vem da hábil ligação entre "cultos hereges e ciência genética", um verdadeiro achado.

quinta-feira, novembro 20, 2008

Temporariamente indisponível…



boneco do compadre irmaolucia, no dia em que a Byblos encerrou as portas

o título do post é a mensagem que se encontra quando se tenta aceder à página da livraria. foi-se tão depressa como se veio.

terça-feira, novembro 04, 2008

Pensamento do dia

«O preto vai ganhar mas depois vão limpar-lhe o sebo.»

Ouvia-se hoje aqui na livraria, que por estes dias, até parece a sede de campanha de Barack Obama. Onde estão os livros sobre John McCain?



sexta-feira, outubro 03, 2008

E tenha um excelente fim-de-semana



Eu cá não, ando a pensar numa overdose de iogurtes do Lidl com chocolate do Minipreço, mas ando à espera que me saia um daqueles talões de desconto, que a crise está má e tal.

P.S. eu às vezes também gostava de mudar de ramo, deixar de vender livros por uns tempos para experimentar outras coisas, como por exemplo trabalhar num jornal. mas alguém que faz uma manchete destas já passou essa fase. sugiro uma candidatura espontânea para a empresa da Teresa Guilherme

quinta-feira, outubro 02, 2008

Regra número um na relação com o cliente:

não retirar direitos adquiridos



imagem do irmaolucia, após quem manda na FNAC ter percebido que, afinal, não precisava de dar 10% aos clientes para continuar a vender. será?

sexta-feira, agosto 29, 2008

O que é que se diz? Não, obrigado

- desculpe, tem livros escolares?
- não, não temos, mas de que livros anda à procura?
- destes. (um da Porto, um da Areal e outro da Texto)
- faça assim: há uma livraria da Porto no cruzamento da avenida...
- não, não, está a querer mandar-me para lá? não, eu só vou para esses sítios de cinco em cinco anos. está a querer que eu vá lá, mas não vou. vou andar aí de papelaria em papelaria a ver se encontro.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Confusão ao quadrado, seguida do prémio "Publicidade Institucional" do mês

«Rosa Lobato Faria, que editava pela Asa, actualmente integrada no Grupo LeYa, reconheceu à Lusa ter aceitado o convite de Manuel Alberto Valente pela amizade que os liga.

"Mas também - acrescentou - pelo facto de não me ter agradado, logo de entrada, aquela confusão da LeYa. Eu sou um bocado velha e essas coisas fazem-me um bocado de confusão".»

«Margarida, a personagem principal de "As esquinas do tempo", vai proferir uma palestra a Vila Real, passa uma noite num turismo de habitação e, durante o sono, faz uma viagem regressiva até 1908, o ano em que mataram o Rei.

A ideia surgiu, precisamente, quando Rosa Lobato de Faria passou um fim-de-semana num Turismo de Habitação.

"Um dia - contou - fiquei num Turismo de Habitação que era muito bonito e bem conservado, e estava fora, sem muito que fazer e pus-me a pensar: se agora adormecesse aqui e aparecesse noutro século, noutro tempo. Foi esse o ponto de partida".

da Visão

terça-feira, agosto 26, 2008

Os que tiraram boa nota a Matemática foram para o INE; os que não tiraram foram para todo o lado

Sugestões do dia:

«Um humilde pastor persa do século XIII, Beremiz Samir, exímio no exercício da arte de calcular, é o protagonista deste livro. O enredo ambienta-se no exotismo do Médio Oriente, mesclando aspectos da cultura islâmica, da herança grega e de outras grandes culturas com curiosidades da matemática e reflete com fascinante realismo o clima filosófico, religioso e social da época. No universo narrativo são integrados curiosos problemas e enigmas matemáticos e lógicos, aparentemente complicados mas sempre iluminados pela simplicidade dos raciocínios que lhes proporcionam solução, desvendados por Beremiz, o personagem com habilidade e raciocínio lógico. A acção termina com a tomada de Bagdad pelos mongóis, no ano de 1258 da nossa era, marco histórico que assinala o fim da hegemonia árabe no Médio Oriente.
O leitor aprende a matemática pela história, e a história pela matemática.»

«Roberto, um rapazinho de onze anos, não gosta de Matemática porque não compreende nada nas aulas. Porém, uma noite, começa a sonhar com um diabinho que se dispõe a iniciá-lo na ciência dos números.
Durante doze noites, Roberto vai aprender os segredos e os mistérios dos números, numa divertida e instrutiva viagem ao País das Matemáticas.
Tudo se torna então tão fácil que Roberto quer saber cada vez mais — e com ele o leitor deste romance maravilhoso, que é já um grande sucesso internacional.»

Hoje fui ao banco para trocar moedas para a caixa da livraria. Levei uma folha com a indicação de quais queria: um saco de moedas de 1€ (25€), um de 0,5€ (20€), um de 0,2€ (8€) e outro de 0,1€ (4€). O senhor do banco, que me lembro de ver lá desde sempre, olha para a folha e começa a ficar com um ar de estranheza:

- um saco de 20€ não é de moedas de cinco cêntimos, é de cinquenta!
- sim, e é o que está aí.
- não, desculpe, isto (0,5€) é cinco cêntimos. assim (acrescentando um zero à direita) é que é cinquenta cêntimos (0,50€).

E assim, uma folha com
0,5€
0,2€
0,1€
transformou-se em
0,50€
0,20€
0,10€
que é algo completamente diferente.

O que vale é que só me faltam trezentas e tal prestações para acabar de pagar a casa, senão estava mesmo lixado.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Um catálogo cheio de cadáveres



Sai no próximo dia 21, com a marca de qualidade Livros D'Hoje (a tal que é Dom Quixote mas que toda a gente se esforça muito para dizer que não e que não).

terça-feira, agosto 05, 2008

Uma rosa e um convite para jantar era capaz de funcionar melhor



Em Setembro, há livro novo de Paulo Coelho:

«A acção, em ritmo acelerado, passa-se em 24 horas, durante o Festival de Cinema de Cannes. Mas não é a indústria cinematográfica que está em jogo para Igor Dalev, o empresário russo que chega à cidade francesa com a obsessão de recuperar Ewa, o grande amor da sua vida. Para chamar a atenção da ex-mulher, Igor transforma-se num assassino em série.»

quarta-feira, julho 30, 2008

terça-feira, julho 15, 2008

sexta-feira, julho 11, 2008

Há desemprego e tal...

Precisamos de contratar uma pessoa para a livraria, para o lugar de uma colega que vai sair. Metade das pessoas que foram contactadas (após terem deixado o currículo ao balcão ou enviado por mail) disseram que não podiam, ainda antes de ouvirem as condições (salário, horário, responsabilidades, etc.).

Porquê? Porque vão de férias.

terça-feira, julho 08, 2008

Uma barra de sabão e a felicidade

Nota no final do livro O Caminho para a Felicidade, de L.Ron Hubbard, editado pela Magnólia:

«Talvez este seja o primeiro código moral não-religioso que é totalmente baseado no senso comum. Foi escrito por L. Ron Hubbard como uma obra individual e não faz parte de qualquer doutrina religiosa. Qualquer reimpressão ou distribuição individual deste livro não significa uma ligação ou o patrocínio de qualquer organização religiosa. É, por isso mesmo, admissível que departamentos governamentais e funcionários do governo distribuam esta publicação como uma actividade não-religiosa.»

Autor do célebre Dianética e de muitos outros livros, L. Ron Hubbard foi também o fundador da Igreja da Cientologia. Os seus textos têm tido utilizações bastante variadas, inclusivamente pelo governo dos EUA, que no entanto está impedido, pela Constituição, de impôr ou promover uma religião aos seus cidadãos.

Para evitar confusões (e processos nos tribunais), este livro é publicado com uma nota (traduzida da edição original), a avisar que o seu conteúdo não está relacionado com os mandamentos cientológicos que o seu autor também criou. Como a Constituição Portuguesa também diz que «As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado», esta observação final permite que o Estado português possa utilizar os ensinamentos de Ron Hubbard para nos ajudar a alcançar a felicidade.

A ministra da Educação poderá dar uma aula de História do século XX e citar a seguinte passagem:
«foram necessárias revoluções violentas para lidar com eles ou uma Segunda Guerra Mundial para nos livrarmos de um Hitler, e esses foram acontecimentos muito infelizes para a Humanidade. Esses não aprenderam. Eles deleitavam-se com dados falsos. Recusaram todas as evidências e as verdades. Tiveram de ser eliminados.» (pág. 134)

E porque não sugerir ao ministro Manuel Pinho que realize uma série de conferências nas fábricas desse país fora para levantar a moral?
«Salvaguarde e melhore o seu ambiente. Mantenha uma boa aparência.
Por vezes não ocorre a alguns indivíduos - visto que não têm de passar o dia a olhar para si mesmos - que eles fazem parte do cenário e da aparência dos outros. E alguns não compreendem que são julgados pelos outros com base na sua aparência.
Embora as roupas possam ser caras, o sabão e outros utensílios de cuidado pessoal não são difíceis de arranjar. As técnicas são por vezes difíceis de encontrar, mas podem ser desenvolvidas. (...)
Ao fazer exercício ou trabalhar, a pessoa pode ficar bastante suja. Mas isso não a impede de se lavar e limpar. E alguns operários ingleses e europeus, por exemplo, conseguem manter uma certa classe na aparência, mesmo quando trabalham.» (págs. 75 e 76)

Sejam felizes, sim?

segunda-feira, julho 07, 2008

Zapping: Caderno

Onde se pode encontrar livros pelo chão



e onde também há manifestos para uma vida sem bolicaos



«Pior ainda é quando as crianças que têm hábitos mais saudáveis como comer vegetais em todas as refeições, beber leite sem nada acrescentado e saber que os doces são para dias especiais, são vistas pelos adultos como pobres desgraçadinhas por lhes estar a ser negado o melhor da vida. Não está.»

quinta-feira, julho 03, 2008

E Cardoso Pires ao lado da Imogen, não?

Desde a criação da Edições Nelson de Matos, no início de 2008, que o seu editor tem feito ouvir a sua voz em relação às editoras que publicam para o lucro, sem critério editorial, publicando «porque o autor tem um programa de televisão, é jornalista, é político, é tudo menos escritor». Na sua opinião, «o que se tem de fazer é não misturar as águas, não enganar os leitores. Trabalhar com cuidado e seriedade. Não se pode, por exemplo, publicar a Carolina Salgado ao lado de José Cardoso Pires.»

Estes são dois excertos da entrevista que Nelson de Matos deu ao Sexta, em Abril, que podem ser lidos aqui. Mas que estão perfeitamente actuais.

Anuncia-se agora a publicação do novo livro de Manuel Alegre, Sete Partidas, depois de também já ter saído um livro de contos de Pepetela. Acho muito bem. Principalmente porque reflecte a qualidade do trabalho editorial. Por isso, vamos fazer um pequeno exercício e deixar que os leitores deste blog tentem adivinhar qual das seguintes passagens pertence a José Cardoso Pires (e ao livro Lavagante, encontro desabitado) e a Imogen Lloyd Webber (e ao livro Guia para Meninas Solteiras, Conselhos para miúdas sexy e independentes), dois livros que ficam muito bem lado a lado:



«Digo que Cecília é um punhado de instantes luminosos, dispersos no tempo e arrastados pela voz de um companheiro que a evoca. Mas (interrogo-me) em que medida esses instantes não foram mais do que "o strip-tease intelectual das jovens independentes" (frase de Daniel) e em que medida ele próprio não soube resistir à curiosidade que há em todo o amador e em particular no amador de mulheres?»

«Há outro tipo de amigalhaço que também é fundamental - o Namorado Platónico, um amigo homem que não beijas mas com quem tens um pouco de tensão sexual, e que é possível que desapareça se te envolveres numa relação a sério. Eu adoro Namorados Platónicos. São muito úteis já que tratarão da tua bricolagem e correrão atrás de ti de um modo que nunca fariam se dormisses com eles.»

Há que compreender que, e ainda nas palavras de Nelson de Matos, «Hoje os editores nem sequer lêem os textos». Valha-nos os que lêem.

Camus, o futebol e a vida

«Em 1930, Albert Camus era o São Pedro que guardava os portões da baliza da equipa da Universidade de Argel. Tinha-se acostumado a jogar como guarda-redes desde criança, porque esse era o posto em que menos se gastavam os sapatos. Filho de casa pobre, Camus não podia dar-se ao luxo de correr pelos campos de jogo: todas as noites, a avó fazia uma inspecção às solas dos seus sapatos e dava-lhe uma tareia se as visse gastas.
Durante os seus anos de guarda-redes, Camus aprendeu muitas coisas:
- Aprendi que a bola nunca vem até nós por onde a esperamos. Isso ajudou-me durante a vida, sobretudo nas grandes cidades, onde as pessoas não costumam ser proprimente rectas.
Também aprendeu a ganhar sem se sentir um Deus e a perder sem se sentir lixo, difíceis sabedorias, e aprendeu alguns dos mistérios da alma humana, em cujos labirintos soube penetrar depois, numa perigosa viagem, ao longo da sua obra.»

Camus, do livro Futebol: sol e sombra, de Eduardo Galeano, editado pela Livros de Areia, 2006. edição original: El futbol a sol y sombra (1995)

quarta-feira, julho 02, 2008

Blanchot, Musil e a crítica

«Receio que a obra de Robert Musil, hoje acessível aos leitores franceses graças aos esforços de um tradutor corajoso, seja elogiada de olhos fechados. Receio igualmente o contrário: que seja mais comentada do que lida, pois oferece aos críticos, graças ao seu invulgar desígnio, às suas qualidades contraditórias, às dificuldades da sua realização e à profundidade do seu malogro, tudo aquilo que os atrai, tão próxima do comentário que muitas vezes parece ter sido comentada, mais do que escrita, e poder ser criticada em vez de lida. Com que maravilhosos problemas, insolúveis, inesgotáveis, esta grandiosa tentativa nos deleita! E a que ponto nos pode agradar, tanto pelos seus defeitos de primeiro grau como pelo refinamento das suas qualidades, pelo que tem de excessivo e, nesse excesso, de contido, e finalmente pelo seu fracasso imponente. Mais uma obra imensa e inacabada e inacabável. Mais uma vez a surpresa de um monumento admiravelmente em ruínas.»

excerto de O Livro por Vir, de Maurice Blanchot, Relógio d'Água, 2001, pág.145. edição original: Le Livre a Venir (1959).

terça-feira, julho 01, 2008

Um cisne altamente risível

Agora que se fala tanto de booktrailers e da (boa) qualidade das revisões, aqui fica uma prenda do pessoal do pilha-livros.

O CISNE NEGRO ou O Impacto do Altamente Improvável


O booktrailer propriamente dito pode ser visto aqui.

segunda-feira, junho 30, 2008

«se eu der um murro, não é assim»

«[João Céu e Silva] Não pára o livro para ver um jogo do Benfica?
[António Lobo Antunes] Não, já não. Tenho muita pena.
[JCS] Mas teve conhecimento do murro do Scolari?
[ALA} É-me completamente indiferente. Não acho normal nem anormal, é-me indiferente. Nem sei de deu o murro... Vi na televisão, foi uma patetice e não comento patetices.
[JCS] Uma patetice de quem?
[ALA] Eu não sei o que se passou. Vi o homem estender a mão mas aquilo nem me pareceu um murro, porque se eu der um murro não é assim.»
pág. 587
de uma entrevista publicada no DN de 30/09/2007

Entrevistas com António Lobo Antunes 1979-2007 Confissões do Trapeiro, uma edição de Ana Paula Arnaut para as Edições Almedina, é apresentado esta terça-feira, 1 de Julho, às 18h00, na Almedina do Atrium Saldanha, por Carlos Reis. No dia 14, a sessão repete-se na livraria do Estádio Cidade de Coimbra, a partir das 18h30.

terça-feira, junho 03, 2008

A partir de hoje, no sítio do costume



caros amigos, conhecidos e outros azarados de monta,

mais uma vez preparo-me para rabiscar e pôr na parede. desta vez a iniciativa decorre em terreno caseiro, ou seja, na almedina do atrium saldanha. o que vale é que estas iniciativas não implicam conselhos de arbitragem nem troféus em folha-flandres senão lá teria de chover uma charivari de críticas, como diz o rui "prémio nobel da literatura" santos.
pois bem, desta vez parti dos crimes exemplares do max aub (tradução portuguesa na antígona) e adaptei graficamente oito dos seus microcontos. o resultado em forma de micro-exposição estará à vista a partir de dia 3 de junho, espero que visitem o certame [ui, o que eu me pelava para usar esta palavra, pelo menos desde que se inaugurou a exponor] e que gostem do resultado. afinal de contas um pouco de horror gore nunca fez mal a ninguém, excepto a um ou outro cardíaco. ou a alguém que tenha acabado de almoçar um cozido, vá. na verdade o meu registo rabiscado até é bem mais doce que o conteúdo do livro. esse sim, é barra pesada. o que eu vou mostrar até acaba por ser light, o que faz com que esta seja a primeira exposição L casei imunitass e bifidus activos ou lá o que é.

conto convosco e agradeço divulgação

beijos e abraços

pedro

ps: no dia da inauguração o josé mário silva lerá os microcontos. desgraçado, aceita meter-se em cada uma...


E antes disso, dêem uma espreitadela no Riscar.

sexta-feira, maio 30, 2008

Descubra as diferenças, na terra de Ronaldo

Longe vão os tempos em que sofríamos até à última para ver a nossa selecção apurada para um Campeonato da Europa ou do Mundo, e muitas vezes ficávamos à porta, porque na última jornada não tinha havido aquela mágica combinação de resultados que nos dava a qualificação. Nos últimos anos, os jogadores portugueses têm-nos habituado mal: já não se fala da selecção como candidata ao apuramento, mas como pretendente ao título, e os editores aproveitam a onda.

A pouco dias do início do Europeu 2008 chega às livrarias o livro Ronaldolândia - Os segredos do futebol moderno, da autoria de José Marinho e editado pela Oficina do Livro. Para que a mensagem não nos passe ao lado, foi colocado um conveniente lembrete na capa: «para acompanhar as emoções do Euro 2008». E o autor diz-nos, logo na introdução, ao que vem:

«Confesso que nunca cheguei a ter esse dom de me situar nas minhas verdades bem acima da verdade dos outros, e, por isso, seria um idiota chapado se pretendesse fazer, com este livro, essa triste figura. Não creio que o tenha feito e não admito que o pudesse pensar.
(...)
Por isso, este livro não é um manual. Este livro é uma tentativa. De agradar aos leitores e de agarrar a oportunidade que a Oficina do Livro me deu.»

Pois bem, após dez minutos, já tomei a minha decisão: não me agrada. O autor, que trabalhou e foi editor em vários orgãos de comunicação social, incluindo o jornal O Jogo e o canal SportTv, pode avisar-nos que o livro apenas se tornou possível com as contribuições de alguns «homens do futebol», como Jorge Valdano e Humberto Coelho, mas daí até negligenciar por completo a forma correcta de escrever o nome de muitos dos jogadores e treinadores referidos no livro, vai um grande passo.

Alguns exemplos:
- o companheiro de ataque de Cristiano Ronaldo é o «Ronnie». Pode ser que o autor se esteja a referir ao campeão de mundo de snooker Ronnie O'Sullivan, mas é mais provável que seja Wayne Rooney;
- o anterior seleccionador inglês Steve McClaren, que não conseguiu levar a Inglaterra ao Europeu, aparece referido como «Steve McLaren»;
- na Juventus joga «Camaronesi». Não será Camoranesi?;
- outro italiano, Fabio Cannavaro, surge como «Canavarro» (até custa a dizer);
- no mesmo Real Madrid de Fabio Capello jogava «Beckam». Ou seria David Beckham?;
- o meu guarda-redes preferido neste momento é Petr Cech, não «Cehc»;
- no mesmo «Chelsea de Mourinho disfarçado de Grant» aparece «Makekele», e não o internacional Makelele, que surge sim na selecção de França;
- o cançonetista popular «Emanuel» foi campeão do mundo pela França em 1998? Não, foi Emmanuel Petit...

Sucedem-se de tal forma que a certa altura já não é possível estar concentrado na leitura do livro, transformando-se numa busca ao erro.

É caso para dizer que nem é tanto pelo Euro que este livro surge em boa altura: vai longa a discussão da necessidade de elevar o nível das revisões de texto, nos livros, mas também nos jornais, canais de televisão, e até em anúncios publicitários.

Ou simplesmente não se faz revisão de texto? Cada vez mais me parece ser esse o caso.

(por razões óbvias, este post tem direito a dupla publicação: aqui e no Ah, Futebol e Tal.)

quarta-feira, maio 28, 2008

Volto já, depois de amanhã, talvez daqui a 3 semanas

Já muito se disse sobre a praça Leya na feira do livro de Lisboa, mas aqui fica esta nota: se era para fazer aquilo, com as editoras reduzidas a uma pequena parte do seu catálogo (lá se vai o argumento de que a feira serve para expôr os títulos que as livrarias escondem), descaracterizadas e com ar de hipermercado, não se percebe porque a APEL foi tão reticente. Será que têm a consciência pesada?

A única consequência prática deste tu cá-tu lá foi o alargamento temporal da feira: de 21 dias passou para 23, com tudo de bom que isso traz. Vejamos: no fim-de-semana parou de chover e recomeçou vezes sem conta, mas mesmo assim houve períodos em que mal se conseguia dar dois passos sem ter de parar novamente, tal a enchente. Na 2ª e na 3ª, em dois pavilhões, fizemos 30 vendas/dia. A 7 horas por dia, dá uma venda de meia em meia-hora em cada pavilhão. Se tivermos em conta que nesses dois dias a última venda foi feita por volta das 21h30, percebe-se o porquê de ter a feira aberta até às 23h00.

Três semanas de feira, com dois feriados na última: à 15ª pessoa que diz, depois de ter estado algum tempo a namorar um livro, que volta noutro dia, dá vontade de arrumar a barraca e abrir novamente na 6ª ao final da tarde. Será que alguém acredita que por a feira estar aberta 23 dias vai facturar mais do que se estivesse aberta apenas 10, de 6ª a Domingo?

Para ajudar, a electricidade faltou ontem em boa parte da feira um pouco antes de escurecer, tendo regressado apenas 10 minutos antes das 23h, sem que a organização soubesse apresentar explicação. Foi uma lenta agonia, até arrumar a trouxa e rumarmos para casa.

Já disse que ainda não há mapas com a distribuição dos pavilhões? Não há festa como esta.

segunda-feira, maio 26, 2008

Violence



Violence
Slavoj Zizek
Profile Books
January 2008
9781846680175

sexta-feira, maio 23, 2008

É pró menino e prá menina



A feira começa amanhã.

terça-feira, maio 20, 2008

Deus ou uma aspirina?

A Quasi é provavelmente a editora que mais frequentemente muda de distribuidor e, volta não volta, lá regressam à distribuição própria, como agora. A acompanhar esta distribuição directa, a editora (e a sua gémea, a Magnólia), têm-nos trazido novidades de grande craveira, como O Caminho para a Felicidade, de L. Ron Hubbard (autor do best-seller Dianética), cuja apresentação diz «A alegria e felicidade verdadeiras têm muito valor. Se uma pessoa não sobreviver, não conseguirá obter alegria nem felicidade». Não podia concordar mais.

Mas o tema principal deste post é uma outra novidade da Magnólia, que dá pelo nome de O Sexo Depois dos Filhos. Ao ler as notas de capa, poder-se-á pensar que se trata apenas de mais um livro de ajuda sexual, com dicas e conselhos úteis, mas é muito mais do que isso. Quando lemos esta parte da sinopse, que até vem destacada no site, começa-se a desconfiar: «Estar num momento a fazer o jantar e logo a seguir amor, ser mãe e depois amante apaixonada, tudo isto no decorrer de uma única noite, levanta desafios únicos.»

Mas é quando se abre o livro e se lêem passagens ao acaso, que vemos que algo muito estranho se está a passar. Alguns exemplos:

- «Ao contrário do que é definido pela cultura, o amor não é um sentimento. É uma escolha. Escolhemos amar e não amar. Para as mulheres, de modo semelhante, fazer amor é uma escolha. Os nossos maridos sentem frequentemente o sexo como uma urgência motivada por aspectos físicos e hormonais; nós temos uma maior tendência para escolher ter vontade de fazer amor»;

- «A capacidade de escutar é uma das oferendas comunicacionais mais importantes que Deus deu aos casais, pretendendo assim que eles consolidem a sua intimidade. Diz-se que a capacidade de escutar é tão importante que Deus nos fez com apenas uma boca e com dois ouvidos. Ele quer que escutemos a outra pessoa»;

- «Tem mais dificuldades em dar prazer do que em receber prazer? Peça ajuda a Deus para ultrapassar aquilo em que tem mais dificuldades».

Mas há ainda pérolas melhores que estas. Reparai em alguns exercícios que compõem o anexo final, com o título sugestivo de «Guia para Líderes":

- «Identifique uma estratégia que gostaria de colocar em prática, de modo a avançar do acto de fazer rolo de carne para o acto de fazer amor. Pensem, em conjunto, nos pormenores que esta mudança de estratégia iria implicar»;

- «Dê, a cada mãe, um cartão de memória, e peça-lhes para escreverem, em dois minutos, todos os aspectos positivos que lhes surjam sobre os respectivos maridos. Encoraje-as a manterem esses cartões dentro das suas Bíblias ou em algum outro local que as levem a agradecer a Deus, numa base diária, pelas maravilhosas qualidades dos seus maridos».

A autora, Jill Savage, é apresentada como fundadora da Hearts at Home, uma «organização cristã que apoia, prepara e educa as mulheres para a maternidade». Autora de um livro com o sugestivo título de «Professionalizing Motherhood», mas «mais importante, Jill Savage é casada e tem cinco filhos».

Agora que se fala da (má) adaptação de alguns livros ao contexto europeu (e português), é de notar também as referências à Family Life Marriage, encorajando as leitoras a visitar o site e descobrir a localização mais próxima das conferências dadas por esta organização. As mulheres portuguesas poderão começar já a reservar o fim-de-semana de 31 de Outubro a 2 de Novembro, em que a Family Life as espera em Hartford (Connecticut), por apenas 129 dólares por pessoa (uma bagatela, nessa altura já o dólar está ao preço da uva mijona).

Brilhante Jorge, brilhante.

quinta-feira, maio 08, 2008

Crianças felizes e múltiplos parceiros

A Humanity's Friends Books acaba de surgir no mercado editorial português com um projecto, digamos assim, inovador. O objectivo passa por, nas palavras da editora, «assegurar que o nosso semelhante viva com dignidade», «fortalecer o sonho da humanidade, através da concretização dos nossos próprios sonhos» ou «lutar constantemente para o bem estar do mundo, ao devotar-se ao trabalho desinteressado».

Para isso foi criado o fundo social HF, constituído por «todo o dinheiro proveniente da venda dos livros, que pela sua temática ou outro motivo não foram atribuídos a nenhuma Associação específica», que será repartido «por várias Associações e/ou Instituições de solidariedade social, bem como a particulares que necessitem de ajuda específica, desde que o mesmo seja requerido para suprir as necessidades e/ou protecção de menores.»

OK. E com que livros quer a Humanity's Friends Books (não me canso de dizer este nome) atingir este objectivo? Deixo aqui dois exemplos, que reflectem bem o espírito de fraternidade e ajuda ao próximo patente no seu discurso de boas intenções.

Como ter sexo escaldante

«Extraído da sua extensa experiência, tanto à frente das câmaras como fora, as mundialmente conhecidas Vivid Girls, proporcionam-lhe uma visão única daquilo que é escaldante…

Para além de exporem as suas experiências pessoais, e as mais quentes fantasias retiradas das mais populares produções das Vivid, ainda lhe apresentam centenas de provocantes dicas sexuais, para “amadores” que estejam prontos para a acção…

Quer deseje melhorar o sexo oral, trazer brinquedos para a cama ou simplesmente experimentar novas posições , o painel de experts das Vivid está aqui para ajudá-lo a fazer a sua própria produção erótica, digna de ganhar um prémio.

Elas começam com os passos básicos da sedução passando para dicas especificas, em relação a brinquedos para dois e posições únicas nunca mencionadas no Kama Sutra. Até ao final do livro você já será capaz de experimentar técnicas ainda mais avançadas tais como múltiplos orgasmos, múltiplos parceiros, sexo anal e muito mais.»

Como matar o seu marido

«A esposa faz o voto de amar, aspirar e obedecer?

Está cientificamente provado que nunca uma mulher disparou contra o seu marido enquanto ele aspirava. Os maridos dizem que gostariam de ajudar mais em casa, mas que não conseguem fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Mas teriam eles dificuldade em fazer várias tarefas ao mesmo tempo, por exemplo, numa orgia?

Jazz Jardine, a mãe que não sai de casa; Hannah, a mulher de carreira sem filhos; e Cassie, a mãe trabalhadora demente, são três mulheres banais. As suas colecções são clássicas, não criminais. Mas quando Jazz é presa por ter assassinado o marido, elas expõem-se para provar a sua inocência – revelando traições, adultério, coxas mais finas e jovens amantes em abundância.

Sexy, cómico e sensato, o novo romance irresistível de Kathy Lette fará vibrar as mulheres de todo o mundo e assegurará que, a partir de agora, todas nós leremos as pequenas letras dos nossos contratos de casamento.»

sexta-feira, abril 11, 2008

Momento Family Guy

Stewie: How you uh, how you comin' on that novel you're working on? Huh? Gotta a big, uh, big stack of papers there? Gotta, gotta nice litte story you're working on there? Your big novel you've been working on for 3 years? Huh? Gotta, gotta compelling protaganist? Yeah? Gotta obstacle for him to overcome? Huh? Gotta story brewing there? Working on, working on that for quite some time? Huh? (voice getting higher pitched) Yea, talking about that 3 years ago. Been working on that the whole time? Nice little narrative? Beginning, middle, and end? Some friends become enemies, some enemies become friends? At the end your main character is richer from the experience? Yeah? Yeah? (voice returns to normal) No, no, you deserve some time off.

quarta-feira, março 26, 2008

Alteração de Morada (Mas Não de Biblioteca)

O Segundo Gume mudou-se para http://www.segundogumexxl.blogspot.com/. Ide lá visitá-lo ò pilhadores de livros, que, tal como pilhar livros, vale a pena!!! Já começo a sentir vossas saudades...

Saudadi,
Suadadi,
Dessi meu Gume de Sã Nicolau... etc etc...

segunda-feira, março 24, 2008

O pote das bolachas da avó nunca mais será o mesmo

A Asa acaba de publicar o livro "Ruca aprende a usar o pote":

«A Mamã tem uma surpresa para o Ruca: é um pote onde o Ruca pode passar a fazer as suas necessidades. Acabaram-se as fraldas! O Ruca agora já é crescido! Depois de algumas tentativas, umas falhadas e outras bem sucedidas, o Ruca acaba por ser capaz de passar a pedir o pote sempre que tem necessidade.»



O dicionário atual da língua portuguesa já chegou a casa do Ruca e as dificuldades de adaptação estão a ser muito maiores do que se esperava.

quarta-feira, março 19, 2008

O Que Está Escrito Nas Estrelas (Anos I & II)



«Porque se submetem os homens mais facilmente ao jugo das estrelas do que ao jugo da razão? Porque não há quem não queira libertar-se do tremendo fardo de ter de fazer escolhas, das mais simples e comezinhas às mais complexas e ponderosas.
Tome-se um singelo exemplo. Como deverá proceder quem se veja confrontado com a alternativa de comprar um colar de pérolas para uma amante ou de investir essa mesma quantia em acções de uma respeitada firma petrolífera? Quem se reja pela razão passará em claro noites intermináveis, sopesando as vantagens e desvantagens de uma e outra opção, consultando os registos históricos das cotações no mercado de crude, extrapolando o crescimento económico das potências asiáticas, ponderando a instabilidade no Médio Oriente, lutando por obter uma equivalência entre dividendos bolsistas e a quantidade de prazer adicional facultada por uma amante satisfeita. Bem vistas as coisas, não irão os eventuais dividendos de uma e outra opção dissipar-se no tormento da escolha? Quantos não sentiram vacilar a sanidade perante a estrénua prova de incessantemente escolher entre múltiplos caminhos? É a esse suplício permanente que este livro, de fácil consulta e profusamente ilustrado, o vai poupar, permitindo decisões lestas e sem remorsos nas mais diversas áreas da vida, amor e negócios.
E por que razão são as previsões aqui contidas mais dignas de crédito do que as prometidas pelos horóscopos que pululam nas páginas da imprensa e pelos consultórios de videntes e médiuns que se fazem anunciar nas caixas de correio? Porque são as únicas que aliam as sabedorias ancestrais aos mais modernos conhecimentos científicos, numa Visão Holístico-Sincrética do Cosmos®. José Carlos Fernandes concebeu, desenvolveu e patenteou a Grande Perspectiva Futuroscópica Integrada® e a Análise Escatológica de Variáveis Indexadas®, métodos que permitem determinar com incomparável grau de fiabilidade os acontecimentos futuros.
As Edições tinta-da-china e os herdeiros do autor declinam, porém, quaisquer responsabilidades no que toca ao cumprimento ou incumprimento das previsões.»

Comboio Nocturno para Lisboa

sexta-feira, março 14, 2008

quinta-feira, março 13, 2008

Os Milagres do Anticristo



«A história começa em Roma, no tempo do imperador Augusto, no exacto momento em que este se prepara para ordenar a construção de um novo templo consagrado a si próprio. Uma visão adverte-o de um futuro culto que a sua cidade dedicará a Cristo, e o templo é consagrado a este novo Salvador do mundo. O ícone que o representa atravessa séculos e lugares. A sua réplica, feita por um viajante, chega a uma pequena aldeia no monte Etna, onde começa a fazer milagres até se descobrir a sua identidade profana.»

domingo, março 09, 2008

Crise?

Do Sexta de anteontem:

«PRIMAVERA DOS LIVROS
Decorre até 30 de Março, no Mercado da Ribeira, a Primavera dos Livros/Feira dos Descontos Máximos.

FEIRA DOS LIVROS MANUSEADOS
De 8 a 16 de Março, realiza-se na Rua Garrett a Feira de Livros Manuseados, onde três editoras estarão a vender livros a partir de 1 euro.»

Daqui a uns meses, quando as Feiras do Livro de Lisboa e do Porto já estiverem a decorrer há uns dias, venham dizer que o mercado está em crise e que cada vez há menos pessoas na Feira e tal, a ver quem vai querer ouvir esse discurso pela enésima vez.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Zapping: Estúdio Raposa

Audioblogue de Luís Gaspar

«Aqui, neste espaço, arrancam-se as palavras do papel e dizem-se, soprando-lhes vida nova, fazendo-as flutuar em sonoras centelhas de luz. Recitar realiza, quebrando o silêncio, aquilo que o silêncio pretende e não consegue.»

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

O Palácio dos Sonhos - Ismaïl Kadaré

«A ideia que ocorreu ao Soberano de criar o Tabir assenta no facto de Alá lançar um sonho anunciante à superfície do globo com a mesma desenvoltura que desfere um relâmpago, desenha um arco-íris ou aproxima subitamente de nós um cometa que Ele vai buscar ninguém sabe a que misteriosas profundezas do Universo. Lança então um sinal sobre esta terra, sem cuidar do lugar onde ele vai cair, pois, distante como está de nós, não pode ocupar-se de tal género de pormenor. É a nós que nos cabe descobrir onde pousou este sonho, desencantá-lo entre milhões e biliões de outros, como quem busca uma pérola perdida num deserto de areia.»

Mark-Alem é um jovem ocioso, descendente da família Quprili, influente família aristocrata de origem albanesa, num ficcionado Estados Unidos Otomanos em meados do século XIX. Mark-Alem é nomeado para o Tabir Sarrail, o Palácio dos Sonhos, instituição criada pelo Soberano, cuja função é analisar e deslindar os sonhos tidos pelos habitantes dos quatro cantos do vasto império, em busca de visões e sinais do futuro do Estado, em busca do Sonho-Mor. Mark-Alem, dividido entre as suas origens e as suas funções, passa a viver envolvido na pesada máquina de poder de um Estado autoritário, na constante incerteza do que é sonho e do que é realidade, e em constante conflito entre aquilo que define o futuro do Estado e o seu próprio futuro.

Kadaré tem uma extraordinária forma de prender o leitor. O ambiente que cria, lembra Orwel, em "1984", ou Zamiatine, em "Nós". As suas descrições lembram Kafka, em "O Processo". A sua escrita balança entre o realismo fantástico dos sul-americanos e o realismo cru dos balcânicos. Tudo isto junto leva "O Palácio dos Sonhos" para a minha lista de livros da vida, e Kadaré para a lista de autores a reter e repetir.

Só é pena que tão fantástica história tenha direito a tão fraca edição. Vários erros, incoerência nos termos, pouca pesquisa e informação (as poucas notas de rodapé limitam-se a traduções das notas da edição francesa). Não há por aí ninguém que dê a este livro o tratamento que merece? Se não houver, só me resta ir aprender Albanês.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Zapping: Rachel Caiano



«Mister Valéry never turns is back on objects, he always looks to the front of the objects.
He is never backwards.»
Ilustração: Rachel Caiano / Texto: Gonçalo M. Tavares