Sinos, sinos. Tocam os sinos
e todos os sons povoam o ar.
Sinos, sinos. As notas distantes
têm do gemido o dolente vibrar...
Passam os dias! O amanhã chegará.
O amanhã passará sem luz e sem ruído!
E as luminosas quimeras humanas!
E os gozos sempre, sempre prometidos!
Amanhã, amanhã! Os olhos cansados
há muito tempo já que estão fechados
e húmidos e tristes de tanto esperar!
Não toquem os tristes sinos distantes!
(Os dias passam como os sinos
tocam, tocam. Depressa deixam de tocar.)
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AQUELE
Porque era um rapaz bom e resignado
e tão tristemente costumava passar
sob o teu olhar, porque um amargurado
coração vias atrás do seu olhar...
tu nunca o amaste. Sonho dourado
que com brancas asas se vê adejar
foste para o pobre rapaz esquecido
com sua grande mágoa: tristeza de amar...
Mas no bulício das tuas alegrias
ou no fatigado rodar dos teus dias
amargos, tu nunca poderás encontrar
o grande carinho daquele ignorado
coração que sempre ficou amargurado
pela mágoa grande de amar, de amar...
Estávamos em 1919. Pablo Neruda tinha 15 anos.
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