quarta-feira, julho 21, 2010

Renascer (Diários e Apontamentos 1947-1963) - Susan Sontag

«É superficial encarar um diário apenas como um receptáculo dos pensamentos privados e secretos de cada um - como um confidente surdo, mudo e analfabeto. No diário não só me exprimo de uma forma mais aberta do que faria com qualquer pessoa, mas crio-me a mim própria. O diário é um veículo para o meu sentido de individualidade. Representa-me como emocional e espiritualmente independente. Em consequência (infelizmente) não é um registo simples da minha vida diária - e em muitos casos - oferece uma alternativa a ela.»

Muito em breve, numa livraria perto de si.

terça-feira, julho 13, 2010

Em homenagem



Harvey Pekar (1939-2010)

segunda-feira, maio 24, 2010

sábado, maio 15, 2010

E se enfiassem as situações atípicas naquele sítio?

«Devido a um conjunto de situações atípicas - as condições atmosféricas adversas que se fizeram sentir durante alguns dias, a visita do Papa a Lisboa e as comemorações da vitória do Benfica no Campeonato Nacional - que condicionaram a visita à Feira do Livro de Lisboa, a 80ª Feira do Livro de Lisboa vai ser prolongada até ao próximo dia 23 de Maio.»

E foi assim que a APEL comunicou hoje ao público (através da sua página na internet) o prolongamento de uma semana da actual Feira do Livro. Chamar situações atípicas à visita do Papa e à vitória do Benfica (que já se sabia irem acontecer durante a Feira) e à chuva (imagino o que teriam dito se tivesse nevado) para justificar mais uma semana de caixas a facturar, é ainda mais ridículo que o fecho antecipado de 45 minutos no dia do FC Porto - Benfica (quando a Feira ficou deserta a partir das 19h30) e aquele (não) encerramento às 18h00 no Sábado passado porque tinha chovido.

Já se sabe que a maior parte dos participantes na Feira querem que esta esteja aberta mais tempo (daí o alargamento do horário este ano) dado que apenas uma minoria tem livrarias nas quais pode vender directamente ao público todo o ano. Porque não pensam nisso antes e param com estas palhaçadas a meio da Feira? Ou pensam que é fácil coordenar horários para as centenas de pessoas que nela trabalham, muitas delas a fazer jornadas diárias de 12 ou 14 horas? Assumam-se e tenham a coragem de propôr uma Feira de 2011 com seis semanas de duração, aberta das 10h às 23h. E depois até pode ser que a fome dê lugar à indigestão.

terça-feira, maio 11, 2010

É ainda a mesma a espera que sofremos.

Este verso do Alba anda-me a dar luta há algum tempo, mas acho que é disso mesmo que ele estava a falar.

sábado, maio 08, 2010

quinta-feira, maio 06, 2010

OS PEQUENOS LISBOETAS

2.

Cabeça vertical
Calça preta
Passa o dia de maleta

Não usa cão
Vai ao Tejo
Sobe ao Chiado
Cisma no Camões
E torna a descer

À noite olha o tecto
Pensa
Na mecânica celeste

A mulher é loura
Madura
E tem amante aos sábados

António Dacosta, em A Cal dos Muros (Assírio & Alvim, 1994)

segunda-feira, maio 03, 2010

sábado, maio 01, 2010





ilustrações de Suzy Lee, incluídas no livro Espelho (Gatafunho, 2009)

quinta-feira, abril 29, 2010

As coisas passaram-se assim: meu avô
teve um desgosto de amor, quis matar-se.
Atirou-se do Castelo de S. Filipe
mas não se matou, ficou ali, primeiro
a gemer e depois inconsciente, julgava
que tinha morrido. Um pastor de ovelhas
encontrou-o e levou-o para o hospital.
No hospital meu avô percebeu
que não tinha morrido, a irmã da regente
interessou-se por ele e casaram.
Do casamento nasceram três filhos,
meu pai foi um deles. Sou portanto neto
do acaso e o acaso é o meu pai.

Helder Moura Pereira, em A Tua Cara Não Me é Estranha (Assírio & Alvim, 2003)

quarta-feira, abril 28, 2010

Venham daí

A Feira do Livro de Lisboa arranca esta 5ª feira, às 12h30.

sexta-feira, agosto 28, 2009

relembrando o Alba

«Ouvi falar pela primeira vez no Sebastião Alba nas aulas de Literatura Africana de Expressão Portuguesa, quando, na universidade, estudava para doutor de letras & tretas. O professor, muito academicamente, referiu-se ao branco com alma de negro e recomendou-nos a leitura de O Ritmo do Presságio e de A Noite Dividida. Não me preocupei a procurar os livros na biblioteca da instituição e muito menos numa livraria - na altura o dinheiro mal dava para a cerveja diária que um estudante tinha de consumir para não ser mal visto pelos colegas. Mas realmente os livros não me interessavam. Primeiro porque eu andava a ler o Castro Soromenho e o Luandino Vieira e depois porque eram de poesia, coisa que pouco me atraía.

Ficou-me pois o nome na cabeça juntamente com muitos outros que nunca li nem estava nos meus horizontes ler. Mas sempre era cultural saber-lhes os nomes e um ou dois títulos das obras que escreveram e que têm feito a volúpia de alguns, para, numa tertúlia, não ficar mal visto diante daqueles que leram e consideram os não ledores pouco acima da gentalha que adormece à frente da televisão e vai à bola.

Algum tempo depois, conheci o José Vieira e o Vergílio Alberto Vieira, e a minha aversão à poesia foi mudando a ponto de até eu próprio começar a alinhar uns versos de rima toante. Nas conversas que íamos tendo, vinha de vez em quando à baila o Sebastião Alba, que eu julgava a viver nalguma senzala africana. Afinal estava bem enganado. O Sebastião Alba era quase meu vizinho. Aliás, em certas tardes de calor, poderia dizer que era mesmo meu vizinho. À frente do prédio dos meus pais há um relvado com a sombra apetitosa de um choupo e não imaginava eu que o desgraçado que ali se deitava a dormir a sesta com uma garrafa de vinho tinto ao lado era o autor de A Noite Dividida.»

texto de José Leon Machado, para ler completo aqui