...e também não é por roubar um pássaro ou um livro, que logo dá aos amigos, que o Alba tem as mãos sujas. chartapaciu@gmail.com
segunda-feira, maio 03, 2010
nenhum desejo é benigno, pois luta sempre, de alguma forma, contra algo que já existe
da biblioteca Gonçalo M. Tavares, excerto do texto sobre Slavoj Zizek
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Gonçalo M. Tavares,
Slavoj Zizek
sábado, maio 01, 2010
quinta-feira, abril 29, 2010
As coisas passaram-se assim: meu avô
teve um desgosto de amor, quis matar-se.
Atirou-se do Castelo de S. Filipe
mas não se matou, ficou ali, primeiro
a gemer e depois inconsciente, julgava
que tinha morrido. Um pastor de ovelhas
encontrou-o e levou-o para o hospital.
No hospital meu avô percebeu
que não tinha morrido, a irmã da regente
interessou-se por ele e casaram.
Do casamento nasceram três filhos,
meu pai foi um deles. Sou portanto neto
do acaso e o acaso é o meu pai.
teve um desgosto de amor, quis matar-se.
Atirou-se do Castelo de S. Filipe
mas não se matou, ficou ali, primeiro
a gemer e depois inconsciente, julgava
que tinha morrido. Um pastor de ovelhas
encontrou-o e levou-o para o hospital.
No hospital meu avô percebeu
que não tinha morrido, a irmã da regente
interessou-se por ele e casaram.
Do casamento nasceram três filhos,
meu pai foi um deles. Sou portanto neto
do acaso e o acaso é o meu pai.
Helder Moura Pereira, em A Tua Cara Não Me é Estranha (Assírio & Alvim, 2003)
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Quintas de poesia
quarta-feira, abril 28, 2010
sábado, outubro 03, 2009
sexta-feira, outubro 02, 2009
sexta-feira, agosto 28, 2009
relembrando o Alba
«Ouvi falar pela primeira vez no Sebastião Alba nas aulas de Literatura Africana de Expressão Portuguesa, quando, na universidade, estudava para doutor de letras & tretas. O professor, muito academicamente, referiu-se ao branco com alma de negro e recomendou-nos a leitura de O Ritmo do Presságio e de A Noite Dividida. Não me preocupei a procurar os livros na biblioteca da instituição e muito menos numa livraria - na altura o dinheiro mal dava para a cerveja diária que um estudante tinha de consumir para não ser mal visto pelos colegas. Mas realmente os livros não me interessavam. Primeiro porque eu andava a ler o Castro Soromenho e o Luandino Vieira e depois porque eram de poesia, coisa que pouco me atraía.
Ficou-me pois o nome na cabeça juntamente com muitos outros que nunca li nem estava nos meus horizontes ler. Mas sempre era cultural saber-lhes os nomes e um ou dois títulos das obras que escreveram e que têm feito a volúpia de alguns, para, numa tertúlia, não ficar mal visto diante daqueles que leram e consideram os não ledores pouco acima da gentalha que adormece à frente da televisão e vai à bola.
Algum tempo depois, conheci o José Vieira e o Vergílio Alberto Vieira, e a minha aversão à poesia foi mudando a ponto de até eu próprio começar a alinhar uns versos de rima toante. Nas conversas que íamos tendo, vinha de vez em quando à baila o Sebastião Alba, que eu julgava a viver nalguma senzala africana. Afinal estava bem enganado. O Sebastião Alba era quase meu vizinho. Aliás, em certas tardes de calor, poderia dizer que era mesmo meu vizinho. À frente do prédio dos meus pais há um relvado com a sombra apetitosa de um choupo e não imaginava eu que o desgraçado que ali se deitava a dormir a sesta com uma garrafa de vinho tinto ao lado era o autor de A Noite Dividida.»
texto de José Leon Machado, para ler completo aqui
Ficou-me pois o nome na cabeça juntamente com muitos outros que nunca li nem estava nos meus horizontes ler. Mas sempre era cultural saber-lhes os nomes e um ou dois títulos das obras que escreveram e que têm feito a volúpia de alguns, para, numa tertúlia, não ficar mal visto diante daqueles que leram e consideram os não ledores pouco acima da gentalha que adormece à frente da televisão e vai à bola.
Algum tempo depois, conheci o José Vieira e o Vergílio Alberto Vieira, e a minha aversão à poesia foi mudando a ponto de até eu próprio começar a alinhar uns versos de rima toante. Nas conversas que íamos tendo, vinha de vez em quando à baila o Sebastião Alba, que eu julgava a viver nalguma senzala africana. Afinal estava bem enganado. O Sebastião Alba era quase meu vizinho. Aliás, em certas tardes de calor, poderia dizer que era mesmo meu vizinho. À frente do prédio dos meus pais há um relvado com a sombra apetitosa de um choupo e não imaginava eu que o desgraçado que ali se deitava a dormir a sesta com uma garrafa de vinho tinto ao lado era o autor de A Noite Dividida.»
texto de José Leon Machado, para ler completo aqui
quinta-feira, agosto 20, 2009
terça-feira, agosto 18, 2009
quinta-feira, julho 16, 2009
segunda-feira, junho 29, 2009
O Império dos Dragões - Valerio Massimo Manfredi
Devo confessar que escrever uma crónica, ou mesmo um simples texto, pode transformar-se numa tarefa Hercúlea, se o objecto a analisar for por exemplo um romance de Valerio Massimo Manfredi. Conhecido professor de Arqueologia Clássica na Universidade Luigi Bocconi (em Milão), Historiador e Arqueólogo, Manfredi tem brindado de largos anos a esta parte os leitores de todo o mundo com os seus romances históricos. Se Manfredi fosse apenas mais um romancista, entre as centenas que preenchem as estantes das Livrarias que se dignam possuir uma secção de romance histórico, talvez a crónica fluísse mais facilmente. Manfredi, porém, é uma excepção, com toda a complexidade e maturidade literárias, assim como a narrativa de carácter Histórico que povoam e caracterizam as suas obras.Devo confessar que após a leitura da trilogia Alexandre, o Grande, custou-me acreditar que o mesmo autor conseguisse atingir um grau de envolvência tão superior entre a obra e os seus leitores, como acontece agora com o seu último romance, O Império dos Dragões.
Será de todo fundamental e prioritário que se tome noção que este romance é uma viagem que levará o leitor da Anatólia até à China, levando como companhia primária o grande protagonista que é Metelo, Marco Metelo Áquila, legado da Segunda Legião Augusta.
A narrativa transporta-nos para um período que ficará conhecido na História como “Anarquia Militar” (235-268), mas mais precisamente para o ano 260, na cidade de Edessa, na Anatólia, cidade que se vê na iminência de ser invadida pelos Persas. Devo fazer referência ao leitor que esta cidade não é o único foco de grande perigo para o Império Romano, já que mesmo a própria “Itália” se encontra por várias vezes em risco de ser invadida por outros grandes e portentosos inimigos Romanos, os Germanos, chegando estes a penetrar territórios tão distantes como a Grécia ou os Balcãs. Esta terrível situação levará mesmo o Imperador Valeriano (253-260) a dividir o Império entre si e o seu filho Galieno, como forma de melhorar a estabilidade administrativa assim como a eficácia militar do Império. Valeriano, Imperador Romano, aceita encontrar-se às portas da Cidade de Edessa, com Sapor I, Rei dos Persas, com o intuito de ser encontrada a paz: no entanto, este suposto encontro não é mais do que uma armadilha, que levará ao cativeiro Valeriano, assim como os seus homens, sendo de realçar o comandante Metelo.
Este cativeiro será o ponto de partida de todas as aventuras, tensões e confrontos, que farão do leitor mais um companheiro de viagem de Marco Metelo, dos seus Centuriões Quadrato e Balbo, do Optio Antonino Salustio, assim como dos sete Legionários Emílio, Septímo, Luciano, Públio, Rufo, Severo e Marciano. Viagem esta que nos mostrará a intensidade dos combates em que somos transportados por Manfredi para o palco principal, fruto da sua intensidade narrativa, assim como criativa arte pictórica de paisagens e tensões bélicas.
O Império dos Dragões oferece ao leitor uma viagem mais longínqua que a do próprio Alexandre, levando cada um dos participantes destas páginas, a uma viagem entre as planícies canículas dos desertos Persas, passando pelas florestas da Índia, montanhas gélidas dos Himalaias, até ao incompreensível coração da China.
texto de Paulo M.
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Presença,
Valerio Massimo Manfredi
domingo, junho 14, 2009
quarta-feira, junho 03, 2009
terça-feira, junho 02, 2009
sexta-feira, maio 29, 2009
sábado, maio 23, 2009
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