segunda-feira, agosto 18, 2008

Um catálogo cheio de cadáveres



Sai no próximo dia 21, com a marca de qualidade Livros D'Hoje (a tal que é Dom Quixote mas que toda a gente se esforça muito para dizer que não e que não).

terça-feira, agosto 05, 2008

Uma rosa e um convite para jantar era capaz de funcionar melhor



Em Setembro, há livro novo de Paulo Coelho:

«A acção, em ritmo acelerado, passa-se em 24 horas, durante o Festival de Cinema de Cannes. Mas não é a indústria cinematográfica que está em jogo para Igor Dalev, o empresário russo que chega à cidade francesa com a obsessão de recuperar Ewa, o grande amor da sua vida. Para chamar a atenção da ex-mulher, Igor transforma-se num assassino em série.»

quarta-feira, julho 30, 2008

terça-feira, julho 15, 2008

sexta-feira, julho 11, 2008

Há desemprego e tal...

Precisamos de contratar uma pessoa para a livraria, para o lugar de uma colega que vai sair. Metade das pessoas que foram contactadas (após terem deixado o currículo ao balcão ou enviado por mail) disseram que não podiam, ainda antes de ouvirem as condições (salário, horário, responsabilidades, etc.).

Porquê? Porque vão de férias.

terça-feira, julho 08, 2008

Uma barra de sabão e a felicidade

Nota no final do livro O Caminho para a Felicidade, de L.Ron Hubbard, editado pela Magnólia:

«Talvez este seja o primeiro código moral não-religioso que é totalmente baseado no senso comum. Foi escrito por L. Ron Hubbard como uma obra individual e não faz parte de qualquer doutrina religiosa. Qualquer reimpressão ou distribuição individual deste livro não significa uma ligação ou o patrocínio de qualquer organização religiosa. É, por isso mesmo, admissível que departamentos governamentais e funcionários do governo distribuam esta publicação como uma actividade não-religiosa.»

Autor do célebre Dianética e de muitos outros livros, L. Ron Hubbard foi também o fundador da Igreja da Cientologia. Os seus textos têm tido utilizações bastante variadas, inclusivamente pelo governo dos EUA, que no entanto está impedido, pela Constituição, de impôr ou promover uma religião aos seus cidadãos.

Para evitar confusões (e processos nos tribunais), este livro é publicado com uma nota (traduzida da edição original), a avisar que o seu conteúdo não está relacionado com os mandamentos cientológicos que o seu autor também criou. Como a Constituição Portuguesa também diz que «As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado», esta observação final permite que o Estado português possa utilizar os ensinamentos de Ron Hubbard para nos ajudar a alcançar a felicidade.

A ministra da Educação poderá dar uma aula de História do século XX e citar a seguinte passagem:
«foram necessárias revoluções violentas para lidar com eles ou uma Segunda Guerra Mundial para nos livrarmos de um Hitler, e esses foram acontecimentos muito infelizes para a Humanidade. Esses não aprenderam. Eles deleitavam-se com dados falsos. Recusaram todas as evidências e as verdades. Tiveram de ser eliminados.» (pág. 134)

E porque não sugerir ao ministro Manuel Pinho que realize uma série de conferências nas fábricas desse país fora para levantar a moral?
«Salvaguarde e melhore o seu ambiente. Mantenha uma boa aparência.
Por vezes não ocorre a alguns indivíduos - visto que não têm de passar o dia a olhar para si mesmos - que eles fazem parte do cenário e da aparência dos outros. E alguns não compreendem que são julgados pelos outros com base na sua aparência.
Embora as roupas possam ser caras, o sabão e outros utensílios de cuidado pessoal não são difíceis de arranjar. As técnicas são por vezes difíceis de encontrar, mas podem ser desenvolvidas. (...)
Ao fazer exercício ou trabalhar, a pessoa pode ficar bastante suja. Mas isso não a impede de se lavar e limpar. E alguns operários ingleses e europeus, por exemplo, conseguem manter uma certa classe na aparência, mesmo quando trabalham.» (págs. 75 e 76)

Sejam felizes, sim?

segunda-feira, julho 07, 2008

Zapping: Caderno

Onde se pode encontrar livros pelo chão



e onde também há manifestos para uma vida sem bolicaos



«Pior ainda é quando as crianças que têm hábitos mais saudáveis como comer vegetais em todas as refeições, beber leite sem nada acrescentado e saber que os doces são para dias especiais, são vistas pelos adultos como pobres desgraçadinhas por lhes estar a ser negado o melhor da vida. Não está.»

quinta-feira, julho 03, 2008

E Cardoso Pires ao lado da Imogen, não?

Desde a criação da Edições Nelson de Matos, no início de 2008, que o seu editor tem feito ouvir a sua voz em relação às editoras que publicam para o lucro, sem critério editorial, publicando «porque o autor tem um programa de televisão, é jornalista, é político, é tudo menos escritor». Na sua opinião, «o que se tem de fazer é não misturar as águas, não enganar os leitores. Trabalhar com cuidado e seriedade. Não se pode, por exemplo, publicar a Carolina Salgado ao lado de José Cardoso Pires.»

Estes são dois excertos da entrevista que Nelson de Matos deu ao Sexta, em Abril, que podem ser lidos aqui. Mas que estão perfeitamente actuais.

Anuncia-se agora a publicação do novo livro de Manuel Alegre, Sete Partidas, depois de também já ter saído um livro de contos de Pepetela. Acho muito bem. Principalmente porque reflecte a qualidade do trabalho editorial. Por isso, vamos fazer um pequeno exercício e deixar que os leitores deste blog tentem adivinhar qual das seguintes passagens pertence a José Cardoso Pires (e ao livro Lavagante, encontro desabitado) e a Imogen Lloyd Webber (e ao livro Guia para Meninas Solteiras, Conselhos para miúdas sexy e independentes), dois livros que ficam muito bem lado a lado:



«Digo que Cecília é um punhado de instantes luminosos, dispersos no tempo e arrastados pela voz de um companheiro que a evoca. Mas (interrogo-me) em que medida esses instantes não foram mais do que "o strip-tease intelectual das jovens independentes" (frase de Daniel) e em que medida ele próprio não soube resistir à curiosidade que há em todo o amador e em particular no amador de mulheres?»

«Há outro tipo de amigalhaço que também é fundamental - o Namorado Platónico, um amigo homem que não beijas mas com quem tens um pouco de tensão sexual, e que é possível que desapareça se te envolveres numa relação a sério. Eu adoro Namorados Platónicos. São muito úteis já que tratarão da tua bricolagem e correrão atrás de ti de um modo que nunca fariam se dormisses com eles.»

Há que compreender que, e ainda nas palavras de Nelson de Matos, «Hoje os editores nem sequer lêem os textos». Valha-nos os que lêem.

Camus, o futebol e a vida

«Em 1930, Albert Camus era o São Pedro que guardava os portões da baliza da equipa da Universidade de Argel. Tinha-se acostumado a jogar como guarda-redes desde criança, porque esse era o posto em que menos se gastavam os sapatos. Filho de casa pobre, Camus não podia dar-se ao luxo de correr pelos campos de jogo: todas as noites, a avó fazia uma inspecção às solas dos seus sapatos e dava-lhe uma tareia se as visse gastas.
Durante os seus anos de guarda-redes, Camus aprendeu muitas coisas:
- Aprendi que a bola nunca vem até nós por onde a esperamos. Isso ajudou-me durante a vida, sobretudo nas grandes cidades, onde as pessoas não costumam ser proprimente rectas.
Também aprendeu a ganhar sem se sentir um Deus e a perder sem se sentir lixo, difíceis sabedorias, e aprendeu alguns dos mistérios da alma humana, em cujos labirintos soube penetrar depois, numa perigosa viagem, ao longo da sua obra.»

Camus, do livro Futebol: sol e sombra, de Eduardo Galeano, editado pela Livros de Areia, 2006. edição original: El futbol a sol y sombra (1995)

quarta-feira, julho 02, 2008

Blanchot, Musil e a crítica

«Receio que a obra de Robert Musil, hoje acessível aos leitores franceses graças aos esforços de um tradutor corajoso, seja elogiada de olhos fechados. Receio igualmente o contrário: que seja mais comentada do que lida, pois oferece aos críticos, graças ao seu invulgar desígnio, às suas qualidades contraditórias, às dificuldades da sua realização e à profundidade do seu malogro, tudo aquilo que os atrai, tão próxima do comentário que muitas vezes parece ter sido comentada, mais do que escrita, e poder ser criticada em vez de lida. Com que maravilhosos problemas, insolúveis, inesgotáveis, esta grandiosa tentativa nos deleita! E a que ponto nos pode agradar, tanto pelos seus defeitos de primeiro grau como pelo refinamento das suas qualidades, pelo que tem de excessivo e, nesse excesso, de contido, e finalmente pelo seu fracasso imponente. Mais uma obra imensa e inacabada e inacabável. Mais uma vez a surpresa de um monumento admiravelmente em ruínas.»

excerto de O Livro por Vir, de Maurice Blanchot, Relógio d'Água, 2001, pág.145. edição original: Le Livre a Venir (1959).

terça-feira, julho 01, 2008

Um cisne altamente risível

Agora que se fala tanto de booktrailers e da (boa) qualidade das revisões, aqui fica uma prenda do pessoal do pilha-livros.

O CISNE NEGRO ou O Impacto do Altamente Improvável


O booktrailer propriamente dito pode ser visto aqui.

segunda-feira, junho 30, 2008

«se eu der um murro, não é assim»

«[João Céu e Silva] Não pára o livro para ver um jogo do Benfica?
[António Lobo Antunes] Não, já não. Tenho muita pena.
[JCS] Mas teve conhecimento do murro do Scolari?
[ALA} É-me completamente indiferente. Não acho normal nem anormal, é-me indiferente. Nem sei de deu o murro... Vi na televisão, foi uma patetice e não comento patetices.
[JCS] Uma patetice de quem?
[ALA] Eu não sei o que se passou. Vi o homem estender a mão mas aquilo nem me pareceu um murro, porque se eu der um murro não é assim.»
pág. 587
de uma entrevista publicada no DN de 30/09/2007

Entrevistas com António Lobo Antunes 1979-2007 Confissões do Trapeiro, uma edição de Ana Paula Arnaut para as Edições Almedina, é apresentado esta terça-feira, 1 de Julho, às 18h00, na Almedina do Atrium Saldanha, por Carlos Reis. No dia 14, a sessão repete-se na livraria do Estádio Cidade de Coimbra, a partir das 18h30.

terça-feira, junho 03, 2008

A partir de hoje, no sítio do costume



caros amigos, conhecidos e outros azarados de monta,

mais uma vez preparo-me para rabiscar e pôr na parede. desta vez a iniciativa decorre em terreno caseiro, ou seja, na almedina do atrium saldanha. o que vale é que estas iniciativas não implicam conselhos de arbitragem nem troféus em folha-flandres senão lá teria de chover uma charivari de críticas, como diz o rui "prémio nobel da literatura" santos.
pois bem, desta vez parti dos crimes exemplares do max aub (tradução portuguesa na antígona) e adaptei graficamente oito dos seus microcontos. o resultado em forma de micro-exposição estará à vista a partir de dia 3 de junho, espero que visitem o certame [ui, o que eu me pelava para usar esta palavra, pelo menos desde que se inaugurou a exponor] e que gostem do resultado. afinal de contas um pouco de horror gore nunca fez mal a ninguém, excepto a um ou outro cardíaco. ou a alguém que tenha acabado de almoçar um cozido, vá. na verdade o meu registo rabiscado até é bem mais doce que o conteúdo do livro. esse sim, é barra pesada. o que eu vou mostrar até acaba por ser light, o que faz com que esta seja a primeira exposição L casei imunitass e bifidus activos ou lá o que é.

conto convosco e agradeço divulgação

beijos e abraços

pedro

ps: no dia da inauguração o josé mário silva lerá os microcontos. desgraçado, aceita meter-se em cada uma...


E antes disso, dêem uma espreitadela no Riscar.

sexta-feira, maio 30, 2008

Descubra as diferenças, na terra de Ronaldo

Longe vão os tempos em que sofríamos até à última para ver a nossa selecção apurada para um Campeonato da Europa ou do Mundo, e muitas vezes ficávamos à porta, porque na última jornada não tinha havido aquela mágica combinação de resultados que nos dava a qualificação. Nos últimos anos, os jogadores portugueses têm-nos habituado mal: já não se fala da selecção como candidata ao apuramento, mas como pretendente ao título, e os editores aproveitam a onda.

A pouco dias do início do Europeu 2008 chega às livrarias o livro Ronaldolândia - Os segredos do futebol moderno, da autoria de José Marinho e editado pela Oficina do Livro. Para que a mensagem não nos passe ao lado, foi colocado um conveniente lembrete na capa: «para acompanhar as emoções do Euro 2008». E o autor diz-nos, logo na introdução, ao que vem:

«Confesso que nunca cheguei a ter esse dom de me situar nas minhas verdades bem acima da verdade dos outros, e, por isso, seria um idiota chapado se pretendesse fazer, com este livro, essa triste figura. Não creio que o tenha feito e não admito que o pudesse pensar.
(...)
Por isso, este livro não é um manual. Este livro é uma tentativa. De agradar aos leitores e de agarrar a oportunidade que a Oficina do Livro me deu.»

Pois bem, após dez minutos, já tomei a minha decisão: não me agrada. O autor, que trabalhou e foi editor em vários orgãos de comunicação social, incluindo o jornal O Jogo e o canal SportTv, pode avisar-nos que o livro apenas se tornou possível com as contribuições de alguns «homens do futebol», como Jorge Valdano e Humberto Coelho, mas daí até negligenciar por completo a forma correcta de escrever o nome de muitos dos jogadores e treinadores referidos no livro, vai um grande passo.

Alguns exemplos:
- o companheiro de ataque de Cristiano Ronaldo é o «Ronnie». Pode ser que o autor se esteja a referir ao campeão de mundo de snooker Ronnie O'Sullivan, mas é mais provável que seja Wayne Rooney;
- o anterior seleccionador inglês Steve McClaren, que não conseguiu levar a Inglaterra ao Europeu, aparece referido como «Steve McLaren»;
- na Juventus joga «Camaronesi». Não será Camoranesi?;
- outro italiano, Fabio Cannavaro, surge como «Canavarro» (até custa a dizer);
- no mesmo Real Madrid de Fabio Capello jogava «Beckam». Ou seria David Beckham?;
- o meu guarda-redes preferido neste momento é Petr Cech, não «Cehc»;
- no mesmo «Chelsea de Mourinho disfarçado de Grant» aparece «Makekele», e não o internacional Makelele, que surge sim na selecção de França;
- o cançonetista popular «Emanuel» foi campeão do mundo pela França em 1998? Não, foi Emmanuel Petit...

Sucedem-se de tal forma que a certa altura já não é possível estar concentrado na leitura do livro, transformando-se numa busca ao erro.

É caso para dizer que nem é tanto pelo Euro que este livro surge em boa altura: vai longa a discussão da necessidade de elevar o nível das revisões de texto, nos livros, mas também nos jornais, canais de televisão, e até em anúncios publicitários.

Ou simplesmente não se faz revisão de texto? Cada vez mais me parece ser esse o caso.

(por razões óbvias, este post tem direito a dupla publicação: aqui e no Ah, Futebol e Tal.)

quarta-feira, maio 28, 2008

Volto já, depois de amanhã, talvez daqui a 3 semanas

Já muito se disse sobre a praça Leya na feira do livro de Lisboa, mas aqui fica esta nota: se era para fazer aquilo, com as editoras reduzidas a uma pequena parte do seu catálogo (lá se vai o argumento de que a feira serve para expôr os títulos que as livrarias escondem), descaracterizadas e com ar de hipermercado, não se percebe porque a APEL foi tão reticente. Será que têm a consciência pesada?

A única consequência prática deste tu cá-tu lá foi o alargamento temporal da feira: de 21 dias passou para 23, com tudo de bom que isso traz. Vejamos: no fim-de-semana parou de chover e recomeçou vezes sem conta, mas mesmo assim houve períodos em que mal se conseguia dar dois passos sem ter de parar novamente, tal a enchente. Na 2ª e na 3ª, em dois pavilhões, fizemos 30 vendas/dia. A 7 horas por dia, dá uma venda de meia em meia-hora em cada pavilhão. Se tivermos em conta que nesses dois dias a última venda foi feita por volta das 21h30, percebe-se o porquê de ter a feira aberta até às 23h00.

Três semanas de feira, com dois feriados na última: à 15ª pessoa que diz, depois de ter estado algum tempo a namorar um livro, que volta noutro dia, dá vontade de arrumar a barraca e abrir novamente na 6ª ao final da tarde. Será que alguém acredita que por a feira estar aberta 23 dias vai facturar mais do que se estivesse aberta apenas 10, de 6ª a Domingo?

Para ajudar, a electricidade faltou ontem em boa parte da feira um pouco antes de escurecer, tendo regressado apenas 10 minutos antes das 23h, sem que a organização soubesse apresentar explicação. Foi uma lenta agonia, até arrumar a trouxa e rumarmos para casa.

Já disse que ainda não há mapas com a distribuição dos pavilhões? Não há festa como esta.

segunda-feira, maio 26, 2008

Violence



Violence
Slavoj Zizek
Profile Books
January 2008
9781846680175