sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Zapping: Estúdio Raposa

Audioblogue de Luís Gaspar

«Aqui, neste espaço, arrancam-se as palavras do papel e dizem-se, soprando-lhes vida nova, fazendo-as flutuar em sonoras centelhas de luz. Recitar realiza, quebrando o silêncio, aquilo que o silêncio pretende e não consegue.»

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

O Palácio dos Sonhos - Ismaïl Kadaré

«A ideia que ocorreu ao Soberano de criar o Tabir assenta no facto de Alá lançar um sonho anunciante à superfície do globo com a mesma desenvoltura que desfere um relâmpago, desenha um arco-íris ou aproxima subitamente de nós um cometa que Ele vai buscar ninguém sabe a que misteriosas profundezas do Universo. Lança então um sinal sobre esta terra, sem cuidar do lugar onde ele vai cair, pois, distante como está de nós, não pode ocupar-se de tal género de pormenor. É a nós que nos cabe descobrir onde pousou este sonho, desencantá-lo entre milhões e biliões de outros, como quem busca uma pérola perdida num deserto de areia.»

Mark-Alem é um jovem ocioso, descendente da família Quprili, influente família aristocrata de origem albanesa, num ficcionado Estados Unidos Otomanos em meados do século XIX. Mark-Alem é nomeado para o Tabir Sarrail, o Palácio dos Sonhos, instituição criada pelo Soberano, cuja função é analisar e deslindar os sonhos tidos pelos habitantes dos quatro cantos do vasto império, em busca de visões e sinais do futuro do Estado, em busca do Sonho-Mor. Mark-Alem, dividido entre as suas origens e as suas funções, passa a viver envolvido na pesada máquina de poder de um Estado autoritário, na constante incerteza do que é sonho e do que é realidade, e em constante conflito entre aquilo que define o futuro do Estado e o seu próprio futuro.

Kadaré tem uma extraordinária forma de prender o leitor. O ambiente que cria, lembra Orwel, em "1984", ou Zamiatine, em "Nós". As suas descrições lembram Kafka, em "O Processo". A sua escrita balança entre o realismo fantástico dos sul-americanos e o realismo cru dos balcânicos. Tudo isto junto leva "O Palácio dos Sonhos" para a minha lista de livros da vida, e Kadaré para a lista de autores a reter e repetir.

Só é pena que tão fantástica história tenha direito a tão fraca edição. Vários erros, incoerência nos termos, pouca pesquisa e informação (as poucas notas de rodapé limitam-se a traduções das notas da edição francesa). Não há por aí ninguém que dê a este livro o tratamento que merece? Se não houver, só me resta ir aprender Albanês.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Zapping: Rachel Caiano



«Mister Valéry never turns is back on objects, he always looks to the front of the objects.
He is never backwards.»
Ilustração: Rachel Caiano / Texto: Gonçalo M. Tavares

quinta-feira, janeiro 17, 2008

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Zapping: A Dobra do Grito



«O grande sonho de Pollock era ser pintor.»
por Dobra

Zapping: 100nada

«Ali estou eu, no cimo do escadote, livros para um lado, livros para o outro, tira uns, volta a enfiar no espaço disponível já fora de sítio, mãos pretas de pó que limpar a última fila é quando se muda de casa ou de estantes ou as estantes de sítio, a ler lombadas, a ver lombadas partidas de uso e mais voltas, as páginas amareladas, as capas fanadas (o paperback não tem qualidade nenhuma mesmo) e penso: nunca, nunca mais vou reler isto. Não tenho tempo nem para ler o que ainda não li e que gostava de ler, não vou ter para reler o que gostei mas não me parece que valha a pena o gasto de tempo. E é nisto, nesta realidade que bate de vez em quando na prática (porque na teoria toda a gente sabe que não se vai para mais novo) que uma pessoa vê que o tempo não é - de todo - aquela carpete que se estendia sem destino para lá de portas invisíveis.
Agora já se vislumbra a ombreira.
É fodido.»
por Catarina C.

sábado, janeiro 05, 2008

Os mitos da sociedade portuguesa

Este Os Mitos da Economia Portuguesa tem conseguido estar nos meios de comunicação social quase diariamente desde o seu lançamento, há algumas semanas. A última referência vem no artigo de Carlos Fiolhais, no Público de ontem, elogiando a obra e comparando-a a livros como Freakonomics e O Economista Disfarçado.

E diz assim: «A obra explica-nos que o atraso económico português tem muito a ver com o nosso atraso na chegada ao trabalho: segundo o autor, só chegamos a horas ao futebol e à missa.» Mas esse clássico atraso português está directamente relacionado com duas das maiores instituições portuguesas: a Ponte 25 de Abril e o café.

Não é possível ver ou ouvir um qualquer programa matinal na tv ou na rádio durante 5 minutos sem que na emissão surja o Paulo Ferreira de Melo ou um seu qualquer sucedâneo informando que a fila já chega à 2ª ponte do Feijó, a Coina ou, nos piores dias, a Marrocos, mas mesmo assim ainda há quem culpe a ponte pelo atraso de hoje (também já tinha sido ontem e antes de anteontem). E é óbvio que, depois do stress da ponte, ou da linha de Sintra, ou do 24, é necessário um shot de cafeína para o dia começar bem: um cafézinho para aqui, deixa-me cá passar isto da prateleira de cima para a de baixo, um cafézinho para ali, e assim se passa mais um dia de trabalho. Isto está directamente relacionado com a economia, mas no fundo, é um mito da sociedade portuguesa, outro dos quais está a sofrer um forte abalo neste início de ano. Engraçado como a parte de fora dos centros comerciais e edifícios de escritórios me fazem agora lembrar os tempos de escola.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Momento zen de início do ano

"Um padre pouco católico, pouco celibatário e pouco crente, rodeado por bispos fanáticos por golfe e traficantes de livros, num romance tragicómico cheio de inconveniências delirantes."

Assim é apresentado Os Pecados do Padre Music, de Alan Isler, editado pela Ulisseia em 2003.

Feliz 2008 :)

quinta-feira, novembro 15, 2007

O Sétimo Selo que não é filme do Bergman



O Zé já sabe que vai continuar nas capas dos jornais até ao Natal.

quinta-feira, outubro 11, 2007

quinta-feira, setembro 06, 2007

Zapping: Clube de Leitura



«"1984" é um livro que se lê com um sentimento de inquietação crescente à medida que vamos avançando nas páginas. Exemplar magistral de um género literário denominado de "distopia" (ver http://en.wikipedia.org/wiki/Dystopian para umas luzes sobre o assunto), o livro tem sido abordado e comentado desde a altura em que foi escrito e mantém uma actualidade notável.
É absolutamente impossível não nos identificarmos com Winston, funcionário do partido comum que tem por função a reescrita da História, que gradualmente vai tomando consciência da opressão e falta de liberdade que permeia a sua vida. Partindo de um primeiro exercício de liberdade individual, simbolizado pela compra de um pequeno caderno onde começa a escrever o seu diário, o encontro com o amor (Julia) lança-o numa espiral de acontecimentos que o leva desde uma série de atitudes e comportamentos subversivos até ao momento em que finalmente é capturado pela polícia do pensamento e inicia um longo processo de reeducação com vista à sua reinserção na sociedade vigente.
É um livro que nos deixa a pensar sobre nós próprios e sobre qual o modelo de sociedade que queremos. Estaremos de facto pronto a abandonarmos uma série de liberdades individuais de modo a ganhar uma pseudo-tranquilidade na nossa vida normal? As estratégias e políticas securitárias que têm pela base o medo de um agente externo ameaçador acabam por levar, em última instância, a movimentos de repressão dentro das próprias sociedades ditas livres justificados pressupostamente por esse receio generalizado. É bastante mais fácil fazer passar certas políticas de controlo social em ambientes desfavoráveis e em cenários de crise, sem que haja uma resposta ou contestação social que impeça esses avanços. Basta lembrar o modo como certas ditaduras chegaram e se instalaram no poder.
"1984" deixa uma grande inquietação no futuro e abala a confiança na benignidade do Homem, mas desperta igualmente e saímos desta leitura mais alertas e, arrisco dizer, melhor preparados para as perturbações futuras que por aí vêm.»
por Nunovsky