segunda-feira, outubro 31, 2005

Zapping: Palimpsesto

Bem verdade

"Comprar livros seria uma boa coisa se pudéssemos comprar também o tempo para os ler: mas, por norma, a compra de livros é confundida com a apropriação do seu conteúdo."
Arthur Schopenhauer

domingo, outubro 30, 2005

O Senhor Valéry - Gonçalo M. Tavares

«A chávena de café

O senhor Valéry gostava muito de café. Para o senhor Valéry trabalhar e beber café eram a mesma coisa. O seu trabalho, a partir de certa altura, era beber café.
Ele costumava dizer:

- Sem café não consigo trabalhar - e quem o ouvia julgava-o dependente dessa substância para fazer uma outra coisa.

Mas não.
O senhor Valéry explicava:

- Um corpo é tanto mais exacto quanto menos tarefas faz.

E clarificava ainda, exibindo as ideias filosóficas de que tanto se orgulhava:

- Uma causa vale menos do que um efeito e um efeito vale menos do que um acontecimento sem causa.
Por isso ele agia sem pensar nos efeitos da sua acção. Agia porque gostava da acção que fazia. E bastava-lhe.

O senhor Valéry, decidiu, então, desenhar uma chávena de café para provar a sua teoria



Depois de acabar o desenho, ele disse para si próprio:

- Há dias em que não percebo nada de mim.

E como se encontrava confuso, o senhor Valéry decidiu ir beber um outro café.

- É uma maneira de resolver as coisas - pensava.»
páginas 47, 48

O Senhor Valéry, de Gonçalo M. Tavares, Editorial Caminho, Abril 2002, 81 pág., pvp: 11,95€

Depois de O Senhor Valéry, O Senhor Henri, O Senhor Brecht e O Senhor Juarroz, o pilha sabe que está para breve a chegada de mais um senhor a esta família. Estejam atentos.

Até lá, alguém quer ir beber um cafézinho?

domingo, outubro 16, 2005

Quiosque: Biblioteca Europeia + Alexandre O'Neill

Roma recebe Biblioteca Europeia

O centro histórico de Roma albergará, a partir de 2006, a sede da Biblioteca Europeia, que será composta por obras impressas e digitais, com especial atenção às que abordam temáticas ligadas à juventude. A inauguração deverá ocorrer em Abril do próximo ano, quando Montreal passar às cidades de Roma e Turim o título de Capital Mundial do Livro 2006-2007.
in Diário de Notícias 16/10/05


Ler e ouvir O´Neill

Poesias e Outras Bizarrias é o título das sessões de leitura que o grupo de teatro Artistas Unidos tem vindo a realizar na Casa Fernando Pessoa. No final da tarde do dia 18, o autor proposto é Alexandre O'Neill, o poeta português que fez da crítica, da ironia e do humor negro a essência da sua obra.
A leitura será feita pelos actores Miguel Borges, João Meireles, Gonçalo Waddington e Américo Silva, em colaboração com a companhia Tá Safo. Para as próximas sessões estão já escolhidos os autores: Armando Silva Carvalho, António Ramos Rosa e Gonçalo M. Tavares.
Lisboa, Casa Fernando Pessoa, 18 de Outubro, 18h30
Informações: 213913270
in Notícias Magazine 16/10/05

sexta-feira, setembro 23, 2005

O Delfim - José Cardoso Pires

«Tomás, o Avô, deitou contas às cinzas e pôs-se a construir a casa sobre as velhas cavalariças que tinham escapado ao incêndio. Teve de fazê-la mais pequenas, imagine-se o desgosto. Dois andares, escada de pedra no pátio de entrada, varanda corrida, hoje sem grades e apenas três potes gigantescos a guardá-la. «Grades para quê, se não há crianças?» perguntava o Engenheiro quando decidiu transformar a sala grande num estúdio de longas vidraças, aberto sobre o terraço. E assim a casa ficava mais ligada ao vale, mais devassada por ele. Mais triste no inverno, quando a chuva saltitava no cimento da varanda, fustigada pela ventania.

O estúdio. Tudo disposto como na noite das apresentações: cobres nas paredes, uma espingarda antiga em cima da lareira. Eu, caçador em visita, Maria das Mercês no lugar que lhe é próprio (sentada no chão, entre revistas - Elle, Horoscope, Flama), o marido estendido no maple e com um braço pendurado para a bebida que repousa em cima do tapete. Música de fundo, e do gira-discos


Retrato de José Cardoso Pires a tinta da china por Júlio Pomar, 1949
in Fotobiografia de José Cardoso Pires, Inês Pedrosa, Pub. Dom Quixote, p.33



O Delfim, de José Cardoso Pires, editado pelas Publicações Dom Quixote, pvp: 15€ (edição normal) e 5,99€ (edição de bolso)


e o filme, realizado por Fernando Lopes

quarta-feira, setembro 07, 2005

Zapping: Borboletas na barriga



«O meu almoço nos dias de trabalho, mais que ser importante pelo reconforto do estômago, é um momento privilegiado para desligar-me das obrigações. Por isso, levo o tupperware, sento-me assim debaixo da árvores num parque cheio de imigrantes ilegais, velhos pervertidos e marginais (ok, talvez não seja assim tão mau). Escolho o banco menos sujo pela praga nojenta que são os pombos da cidade, como a minha refeição frugal e atiro-me ao livro do momento»
escrito por M

sexta-feira, agosto 26, 2005

Chama que chama à leitura

AVC: deve ser a doença mais assustadora. Sentir que já não dispomos de todos os recursos que nos permitem disfrutar a vida tal como sempre a conhecemos, sentir que a mente está ela própria doente, incapaz e
deficiente...

São especulações absurdas, provavelmente. Qualquer doença deve ser terrível na pele, corpo e espírito de quem padece. Mas confesso que esse tal de AVC me dá uns calafrios...



Gianbattista Bodoni teve um. Não o tipógrafo do século XVIII, mas o protagonista deste livro. O tipógrafo não sei. Não procurei o que
caracterizou a sua vida.

Quando sai do coma provocado pela doença, perguntam-lhe pelo seu nome. Não se recorda, e o seu médico diz-lho. A resposta pronta de Yambo (é como ganha vida no livro) é que poderia ser Napoleão Bonaparte, já que foi contemporâneo de Bodoni! Ah, o carácter do homem!!

Assim se fica com uma primeira ideia dos estragos que a doença lhe terá provocado. O passado lá está, muito desvanecido, enquanto o presente vai primar pela ausência... características típicas da doença, julgo.

E, com um tal nome, que profissão é que o nosso homem teria escolhido? Livreiro! Alfarrabista, mais precisamente!! Lidar com a fase final dos objectos tipografados. Trabalho lindo, aquele que trata dos livros.

Ora... um livreiro, com um AVC que lhe poupou parte das memórias antigas e lhe subtraiu a maioria das recentes deve ter umas histórias estranhas e interessantes para contar...

E não é que tem?!!!

A vida de Yambo torna-se, em algumas partes, uma tentativa obcecada de reconstrução do seu passado. Vai para uma casa onde passou grande parte da infância e da adolescência, para além de alguns períodos da sua vida adulta, onde o espera um espólio enormíssimo de muito do que tinha sido editado em Itália nos últimos 60 anos, a par de alguns objectos bem mais antigos.

Há livros do Mickey (Topolino é muito mais giro!), brochuras do partido fascista, jornais da época, PILHAS DE LIVROS, recortes, cartas, etc... (muito grande, este etc!)

Ao longo do livro deparamo-nos com situações curiosas. Às pilhas, também. Yambo tem uma assistente lindíssima que o trata de um modo muito carinhoso. Claro que esse facto vai desencadear uma tempestade de perguntas na cabeça do pobre homem: será que somos amantes? Será que já nos tocámos? Será que a amo? Será que terá sido sempre assim, um jogo de insinuações e uma amizade cúmplice? Será que...? E mais trovoada do mesmo género...

Em suma...

Eis um livro para quem gosta de livros, para quem adora ler, para quem devora caracteres. Mesmo quem tem PILHAS DE LIVROS vai adorar esta leitura e notar que este é extremamente especial.


Ah, um pormenor: escrito por Umberto Eco...

A Misteriosa Chama da Rainha Loana, de Umberto Eco, editado pela Difel, 424 páginas, pvp: 25€

quinta-feira, agosto 11, 2005

Este mundo e todos os outros

Bill Bryson, um contador de peripécias extremamente engraçado, arrisca-se num mundo que pouco ou nada lhe diz, povoado por criaturas estranhas com nomes como quark, muão, isótopo, supernova, neutrino, estrela de neutrões e muitos outros da mesma índole. Eu é que não queria viver num mundo assim, bolas!

Uma Breve História de Quase Tudo é o resultado das deambulações de Bryson nessas estranhas andanças. E o resultado do resultado é um livro de divulgação científica sobre quase tudo!

Bryson, um ignorante de ciência assumido, consegue provar-nos que, fazendo as perguntas certas, por mais idiotas que nos possam parecer (não há perguntas estúpidas, mas respostas estúpidas, não é assim?), às pessoas que lhes conseguem dar respostas satisfatórias (claro que os destinatários eram todos PhD, MSc, MD e por aí fora), consegue-se saber um pouco de quase tudo.

Depois, misturando tudo com o humor e ironia de Bryson, mais o seu inegável talento para descrições minuciosas hilariantes, consegue-se a façanha de se estar a ler textos sobre coisas intrincadíssimas e soltar ocasionais gargalhadas e muitos esgares de riso!

Há um outro livro de Bryson em que o leitor é advertido para não efectuar a sua leitura em locais públicos, porque vai correr o risco de emitir sons guturais que colocarão todos os olhos dos presentes sobre si.

Faço a mesma advertência para esta obra.


Ciência mesmo a sério, mesmo a brincar!

quarta-feira, agosto 10, 2005

Ilusões do passado

Depois de um género revisitado, revisito um autor: Paul Auster.

O Livro das Ilusões trouxe-me de volta o autor que eu conhecera há uns 7 ou 8 anos, com o magnífico Palácio da Lua, editado então pela Presença.


Este Livro das Ilusões é uma narrativa sobre a vida e obra de um realizador de filmes mudos, Hector Mann, que desaparecera muitos anos atrás sem deixar qualquer rasto.

Até ao dia em que alguém se decidiu a estudar a sua obra.

Um homem, Zimmler, desfeito por três mortes muito próximas, limitando-se a anular os dias que vai (sobre)vivendo com doses maciças de álcool, servindo-se de tudo o que estiver ao seu alcance para se anestesiar e embotar os sentidos durante meses consecutivos, começa a rir com vontade ao ver um dos filmes velhinhos de Mann. A curiosidade vence a prostração e decide-se a saber quem tinha sido o homem que destapara a sua câmara de inércia e desespero.

Foi o abrir da caixinha de Pandora: as situações sucedem-se, o ritmo do livro e de leitura torna-se bastante elevado, as situações do passado revelam-se muito presentes e prementes, as aproximações e afastamentos de personagens bastante brutais. Mesmo à Paul Auster!

Às vezes sabe mesmo bem um bocadinho de ilusão...

Aqui fica uma sugestão para um fim-de-semana ocioso ou para os super finais de tarde de Verão.

Boas leituras :)

domingo, agosto 07, 2005

Lembrando a Feira

À Corto Maltese

D'abalada o Mar Salgado
Atravesso à Exupéry,
Voo mar encapelado
- o teu último álibi.
Em Veneza há um tesouro,
Fábula muito glosada...

"Não desvies polegada"
Disse a voz do bom agouro
Que entre as Célticas guardada
Estavas tu, ruiva adorada.
Minha linda, linda Inês.
Sobe ao palco é a tua vez
F.


P.S. Este ano, a Feira do Livro de Lisboa brindou-nos com poemas espalhados por todo o recinto, nos quais pudemos testemunhar a devoção de F. por Inês.

Foto: J

quinta-feira, agosto 04, 2005

Alfarrabista: A Abertura no Jogo de Xadrez

«Nada seria tão enganador para o xadrezista como tentar memorizar as incontáveis linhas de jogo das aberturas e considerar este caudal teórico como uma arma infalível para a vitória. Pondo de lado que seria necessário possuir uma memória monstruosa para isso, e mesmo conseguindo obter este recurso, dar-se-ia frequentemente o caso de se perderem partidas que na abertura nos eram favoráveis, mas que, ao "sairmos do livro", nos apresentam uma série de problemas para cuja solução não nos ajudam aqueles conhecimentos. Então a amargura que a derrota nos produza será maior, dado que o nosso caudal teórico não serviu para outra coisa senão para pôr mais a descoberto a nossa inferioridade.»
pág.13

A Abertura no Jogo de Xadrez (El Espiritu de la Apertura), de Ricardo Aguilera, das Edições 70, Setembro de 1978 (ed. original: 1968)

Este livro fazia parte da extinta Colecção Solário, cujos editores descreviam assim:
«Tendo por base a ideia de publicar livros para os tempos livres, esta colecção pretende também corresponder às necessidades e solicitações da vida quotidiana. Obras de cunho ligeiro, dedicadas preferencialmente a jogos e passatempos em família ou de reuniões sociais, alternarão com outras de carácter menos circunstancial. As intenções declaradamente lúdicas de alguns títulos não colidem com o rigor e a exigência postos na escolha de outras obras, de carácter vincadamente prático, constituindo uma resposta satisfatória aos pequenos e grandes desafios da vida moderna.»

Antes deste livro, já outros quatro tinham sido publicados, nomeadamente:
- Os Mistérios da Mão;
- Venha Jogar Connosco;
- Manual de Cultura Física;
- O Prazer de Estar em Forma;

e estava já previsto para publicação o sexto, Jogos do "Playboy".

Este último seria um dos "declaradamente lúdicos" ou um dedicado às "reuniões sociais"?

Boas partidas :)

P.S.: E assim se inicia mais uma colecção aqui no pilha, a do Alfarrabista, que apenas lê livros do tempo da avózinha, com folhas amarelas e muito cheiro a mofo.

segunda-feira, agosto 01, 2005

A morte de dois jornais

As imagens d'A Capital e d'O Comércio do Porto no post de 26 de Julho não aparecem, e as ligações para os seus sites não funcionam, porque os jornais foram encerrados no passado Domingo.

Parabéns.

sábado, julho 30, 2005

Books list an affront

Ou de como se pode promover o nacionalismo através dos livros.

Links úteis:
Books Alive 2005
2005 Books Alive Great Reads Guide

sexta-feira, julho 29, 2005

Feira do Livro


Feira do Livro, na Feira Medieval de Óbidos, que decorreu até ao passado fim-de-semana.

quinta-feira, julho 28, 2005

CARTAS A ANDREA - Ana Duart

Querida Andrea:

Erase una vez una niña que amaba las fábulas,
Y leía, leía miles de historias, relatos a cientos.
Y la rueca hilaba, hilaba los sueños...
Las tardes de cine eran su sustento, los héroes míticos, amores secretos.
Desde su butaca tocaba los cielos, y allí descubrió reales misterios...
La niña buscaba subir a otros suelos, tocar con sus manos dulzura y talento.
Pasados los años los astros se fueron, Gregory Peck ha muerto, siento su silencio...
No se por qué te hablo cosas que ya fueron; pero fui feliz, me enamoré de él sin saberlo.
A la nana nana, duérmete mi niña, los astros del cielo acompañen tu mente, las hadas,
Los gnomos, los bosques, las fuentes...
Que el paso del tiempo no cambia los seres,
Sólo la mentira, espesa capa silenciosa, envuelve y fustiga los ecos, las mentes.

Cartas a Andrea, de Ana Duart, editado pelo Grupo Editorial Universitario, Espanha, 2004, 99 págs.

quarta-feira, julho 27, 2005

Nick Hornby

O "nosso" Astianax já se cruzou com as mais recentes edições de livros de Nick Hornby em Portugal.

Radicalmente diferentes, Um Grande Salto é a tradução do seu último romance, A Long Way Down, em que quatro estranhos se encontram no topo de um edifício, no qual procuravam a privacidade necessária para cometer suicídio...

Em 31 Canções, tradução de 31 Songs, podemos mais uma vez entrar no mundo musical do autor, conhecendo as músicas que o têm acompanhado ao longo dos anos e notas pessoais sobre os cantores e as bandas.

Passem pel'O Bairro do Amor, e aguardem pela visita de Nick Hornby ao giradiscos.

terça-feira, julho 26, 2005

Causas comuns

Ontem, uma reportagem da SIC Notícias alertou-me para o perigo bem real de os jornais O Comércio do Porto e A Capital virem a ser encerrados a muito curto prazo. Esta notícia surge pouco tempo depois da saída de Luís Osório do cargo de director d'A Capital. Neste artigo do DN pode ler-se que a aposta da Prensa Ibérica «é na informação local, como O Comércio do Porto».

Talvez. Curioso então que a frase de apresentação a este grupo editorial (que para além de vários jornais espanhóis, controla também a editora Alba), presente na página inicial do seu site, lhe atribua «La mejor cobertura en prensa regional con la gestión más eficaz». Os funcionários dos jornais portugueses pertencentes ao grupo decerto discordarão.

Mais vale comprar um exemplar um exemplar d'A Capital de hoje e perceber porque é que as vendas têm descido:

- na primeira página, para além do óbvio destaque a Mário Soares e à sua suposta candidatura às próximas eleições presidenciais, vejo que o jornal inclui um artigo de três páginas sobre Nick Drake (uma 1ª página de um jornal generalista português a falar de Nick Drake?!);

- a página 2 traz uma pequena ficção de Gonçalo M. Tavares (Ficções do Senhor Kraus, na sequência do senhor Brecht ou de Klaus Klump);

- nas páginas 4 e 5 podem ler-se cinco colunas de opinião, incluindo a de Mário Cordeiro;

- na página 6 só se lêem blogs: A Arte da Fuga, Abrangente, Causa Liberal, O Jumento, Diário Ateísta e Grande Loja do Queijo Limiano (blogues? o que é isso?);

- «Soares admite um combate positivo e com ideias», «"Secreta" israelita sob suspeita", «Cabo Verde está próximo da UE», «O descanso do guerreiro» (ou à descoberta do caminho de Lance Armstrong);

- uma página 26 só para falar de xadrez;

- uma foto de página inteira para Nick Drake, seguida de um excelente artigo sobre o músico inglês, falecido em 1974;

- na última página, mais dois artigos de opinião, de Daniel Sampaio e de Jacinto Lucas Pires, e sim, nenhum jogo de Sudoku à vista.

Não, não chego lá... É melhor comprar a edição de amanhã e tirar as dúvidas.


P.S.: A presença de vários escritores e a ligação à editora Alba, fazem a ponte entre este artigo e o mundo dos livros. No fundo, tudo isto é literatura.
E a morte de um jornal é demasiado marcante para que simplesmente deixemos que isso aconteça à nossa frente.