domingo, julho 03, 2005

Inquérito literário

Não sou mesmo nada pontual nesta coisa dos inquéritos, mas como sou teimoso, cá vai.

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
«Na penumbra, uma página se abriu, como uma pluma de neve, as palavras delicadamente traçadas na superfície branca. Na confusão, Montag apenas teve um segundo para ler uma linha, mas essa linha brilhou no seu espírito durante todo o minuto seguinte, como marcada a ferro em brasa: O tempo adormeceu sob o sol da tarde

Já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção?
Decerto que sim...

Qual foi o último livro que compraste?
Deve ter sido As Cabeças Trocadas, de Thomas Mann.

Qual foi o último livro que leste?
The State of Poetry, de Roger McGough (é só descer um bocadinho, até dia 18 de Junho).

Que livros estás a ler?
A Morte em Veneza, de Thomas Mann;
e mais uns quantos que estão por cima das pilhas neste momento.

Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
A Montanha Mágica, de Thomas Mann;
Ulisses, de James Joyce;
Guerra e Paz, de Lev Tolstói;
Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski;
Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez.

A quem vais passar este testemunho (3 pessoas) e porquê?
Como perdi o rasto a quem já respondeu, quem quiser pegar na deixa faça favor de picar o ponto na caixa de comentários aqui em baixo.

quarta-feira, junho 29, 2005

Convite

Hoje o convite é para uma conversa e para um copo de chá. Se passarem por lá, digam que vão daqui.

terça-feira, junho 28, 2005

Zapping: esferovite

«três coisinhas que eu tinha para te dizer

comboios, toda a minha vida foram comboios com hora marcada, uns minutos de espera no café da estação, a inspecção, solene e comedida, dos outros passageiros no cais de embarque, um jornal na mão, o do dia, e a mala cheia de livros, pesadíssima. comboios, toda a minha vida, a pedir com licença à pessoa sentada ao lado para ir à casa de banho, para comprar qualquer coisa no bar.
(...)»


«Eu vou estar lá!

Caros amigos e leitores,

Na próxima semana vamos ter o lançamento nacional da revista Sítio, uma revista cujo o editor principal sou eu! Neste primeiro número, a revista conta com as colaborações de Alexandra Monteiro, Ana Beatriz Guerra, André Trindade, Arnaldo Antunes, Daniel Silva, Eduíno de Jesus, Fabiana Lopes, Herbert Farias, Golgona Anghel, Löis Lancaster, Mariana Matta Passos, Miriam Luz, Onésimo Teotónio de Almeida, Paulo Toledo, Ricardo Coxixo e Xavier Queipo. A coordenação e edição é minha, a concepção gráfica e paginação da Ana Almeida, a revisão da Susana Morais.

Para assistir aos lançamentos da revista Sítio, vais ter que estar na:

- Livraria Almedina, Atrium Saldanha, Lisboa
Terça-feira, 28 de Junho, pelas 19 horas

- Livraria Livrododia, Torres Vedras
Terça-feira, 12 de Julho, pelas 18 h e 30 minutos.

- Livraria Almedina, Arrábida Shopping, V.N. Gaia
Quinta-feira, 14 de Julho, pelas 21 horas.»

(textos da autoria de Luís Filipe Cristovão, do blog esferovite)

domingo, junho 26, 2005

Zapping: Forum

O pilha saúda o nascimento de um novo blog, com o carimbo de qualidade George Cassiel:

«Este Blog embarca num novo projecto.
George Cassiel convidou um conjunto de amigos a escrever sobre literatura, edição, poesia... sobre o mundo dos livros.
E eles aceitaram!
Em breve surgirão aqui os primeiros textos.
Não percam.»

terça-feira, junho 21, 2005

ANIQUILAÇÃO - Imre Kertész

"Morrer é fácil
a vida é um enorme campo de concentração
que Deus construiu na terra para os homens
e que o homem aperfeiçoou
em campo de extermínio do homem
Ser suicida é tão-só
enganar os guardas
fugir desertar rir
na barba dos que ficaram
Neste grande lager da vida
em que nem para fora nem para dentro e nem para a frente nem para trás
de vidas suspensas
neste mundo infame envelhecendo
sem que o tempo avance...
aqui aprendi que a revolta é
FICAR VIVO
A grande insubmissão é
vivermos até ao fim
e também a grande humildade que
juntos devemos a nós mesmos
Único meio respeitável para
o suicídio é a vida
ser suicida é o mesmo
que dar continuidade à vida
de novo começar todos os dias
de novo viver todos os dias
de novo morrer todos os dias" - págs. 44 e 45

B., escritor húngaro, nascido nos últimos dias de Auschwitz, suicida-se aos 40 anos sem razão aparente. Keserü, seu editor e amigo, lança-se então na tarefa de reunir todo o seu espólio, e na busca incessante do que ele acredita ser o grande romance da vida de B., confundindo esta demanda com a sua própria existência.

Aniquilação, de Imre Kertész (tradução de Ernesto Rodrigues), 2003, Ulisseia, 88 págs., pvp: 7.99€





Imre Kertész caracteriza habilmente a geração húngara do pós-guerra, do pós-Auschwitz, uma geração poupada ao horror da guerra, mas forçada a viver no mundo que esta criou.


"Mas eu acredito na escrita. Em mais nada, unicamente na escrita. O homem vive como um verme, mas escreve como os deuses. Antigamente, conheciam este segredo; hoje, está esquecido: o mundo compõem-se de pedaços estilhaçados, é desconexo, é um caos escuro, que tão-somente pela escrita se mantém à tona. Se tens alguma ideia acerca do mundo, se ainda não esqueceste tudo o que te aconteceu, facto é que, pelo menos, tens o teu mundo: tudo isso foi para ti criado pela escrita e continua a criá-lo, incessantemente, é o fio da aranha que mantém coesa a nossa vida, é o logos". - pág. 68

Links:
No Mundo
Answers.com

sábado, junho 18, 2005

Senhoras e senhores, Roger McGough

New Poem

So far, so good


Writer's Block

The excitement I felt
as I started the poem
Disappeared on reaching
the end of the fourth line.


The Concise Guide for Travellers

1) For covering long distances travel is a must.

2) Destinations are ideal places to head for.

3) By the time you get there abroad will have moved on.

4) If you cross the equator go back and apologize.

5) If you meet an explorer you are lost.


Pode ler-se, numa página do British Council, que «Roger McGough é um dos mais populares poetas vivos do Reino Unido. Ele tem sido extremamente importante em tornar a poesia acessível e relevante tanto para o público infantil como adulto», e o mesmo pode confirmar-se viajando um pouco pela net. No entanto, a primeira vez que me cruzei com ele foi há poucos dias atrás, após ter encontrado este The State of Poetry.

Este livro está inserido na colecção que a Penguin editou para comemorar os 70 anos da editora. Com um preço de venda ao público de apenas 2,50€, estes pequenos livros (de poucas dezenas de páginas cada um) trazem-nos verdadeiras preciosidades da literatura mundial, introduzindo alguns autores desconhecidos para muitos de nós, mas incluindo também contos de autores como Franz Kafka e Gabriel García Márquez. Podem consultar todos os títulos aqui, e adquiri-los nas livrarias que aderiram a esta campanha.

Já agora, Roger McGough não tem qualquer livro editado em Portugal.

sexta-feira, junho 17, 2005

Os blogs em volta

Hoje há duas notícias que trazem os blogs e a Almedina intimamente ligados.

Realiza-se hoje, na Livraria Almedina do Atrium Saldanha, um debate intitulado Blografias: Os Blogs em Volta, com início marcado para as 18h00.

Este debate tem também como objectivo apresentar alguns livros directamente relacionados com o fenómeno dos blogs:


Esses Dias - HenryKiller.Blog, de Vitor Vicente, que «salvo os erros e as omissões, é o meu blog passado para o papel», diz o próprio na contracapa. O blog pode ser consultado na morada http://editoracantoescuro.blogspot.com, em que as figuras do autor e da editora Canto Escuro se confundem um pouco (ou totalmente).


Weblogs - Diário de Bordo, de Elisabete Barbosa e António Granado, editado pela Porto Editora. Este livro teve direito a um artigo no pilha em Fevereiro do ano passado, no qual escrevi:

«Com 3 capítulos dedicados às ligações entre os blogs e o jornalismo, o seu aproveitamento comercial por parte de empresas, e a sua utilização como ferramentas de ensino, conseguimos ter uma visão mais alargada deste fenómeno. Muitas vezes encarado como passageiro ou uma moda, como uma simples ferramenta para todos aqueles que não têm muitos conhecimentos em informática e que assim podem ter um diário virtual aberto a todo o mundo, podemos aqui perceber o quão diversificadas podem ser as suas aplicações.»

António Granado mantém um blog sobre jornalismo desde 2001 intitulado Ponto Media.


em nome de JESUS, do Padre Mário de Oliveira, editado pela Arca das Letras, em Abril de 2005. Este livro traz-nos os artigos (escritos entre Março e Dezembro de 2004) que o Padre Mário de Oliveira publicou no diário que mantém na internet, e que pode ser consultado nesta morada. Com mais de 20 livros publicados e uma muito activa página na internet, este é um dos elementos da Igreja Católica mais interventivos na sociedade portuguesa.


O debate contará com a presença de Mário de Oliveira, António Granado e Vitor Vicente, com a moderação de José Bragança de Miranda.


Para além desta notícia, há também outra a registar. Com o primeiro objectivo de aprofundar melhor os temas a desenvolver nas conferências realizadas nas livrarias Almedina, e de estimular à participação de todos aqueles que queiram assistir a essas actividades, acaba de nascer o blog Almedina.
Nesta primeira fase podemos ler alguns artigos associados à conversa que vai decorrer no próximo dia 29 de Junho, na Almedina do Atrium Saldanha, sobre o tema Thomas Mann e o mito d'A Montanha Mágica.

Boas leituras :)

sábado, junho 11, 2005

Feira do Livro 2005: conclusão

A Feira do Livro traz tanto de gozo como de trabalho, e nestes dias que ficaram para trás não consegui transpôr para o pilha as imagens, as letras, as sensações que a Feira provocou. Ficam estes posts que se vêem antes deste, e fica este último, em que lanço mais algumas pistas, para a descoberta das Feiras que acabam amanhã (no Porto) e Segunda (em Lisboa).

Destaques em Lisboa:

Wolverine - Jogo Sangrento, da Devir, pvp: 6,50€, Livro do Dia no Pavilhão 16 Infantil











A última obra-prima de Aaron Slobodj, de José Carlos Fernandes, da Devir, pvp: 16,00€, Livro do Dia no Pavilhão 17 Infantil







Na Terra dos Sonhos, de Jorge Palma, das edições quasi, pvp: 21,00€, Livro do Dia no pavilhão 166

sexta-feira, junho 03, 2005

Colheita Feira do Livro 2005

«O Atlas de Música, agora, finalmente, traduzido em português, foi publicado pela primeira vez em 1977, sucessivamente reeditado na Alemanha e traduzido e editado em inúmeros países, da China à Espanha, tornando-se a grande obra de referência na especialidade. A presente edição portuguesa, coordenada por dois especialistas da Universidade Nova de Lisboa, reproduz a edição alemã de 2002, revista e actualizada.»
(da contra-capa)

«O conceito de música provém do termo grego musiké(...), através do qual a Antiguidade Grega designava, no início as artes das musas, poesia, música e dança, como uma unidade e, mais tarde, a arte dos sons. Na história da música, foram-se renovando constantemente as relações desta última com a língua e a dança (canção, ballet, ópera, etc.). Por outro lado, na música instrumental desenvolveu-se um fenómeno musical autónomo, na medida em que ela não se relaciona estreitamente com acontecimentos extramusicais (ao contrário do que acontece com a música programática).

A música contém dois elementos: o material acústico e a ideia intelectual. Estes não coexistem apenas como forma e conteúdo, mas combinam-se, na música, para formar uma imagem una.»
(da Introdução)

Atlas de Música I, de Ulrich Michels (revisão técnica e científica: Adriana Latino e Gerhard Doderer), da Gradiva (Pavilhões 91, 92 e 95 em Lisboa; C-2/4 no Porto), 1ª edição (Dezembro 2003), pvp: 29,50€



«Toda a gente me inveja
porque ando contigo nos braços...

Tu que pareces um perfume desenhado de mulher
vestida de pólen
e dois olhos que são dois instrumentos modernos
a auxiliarem a melodia do jazz...

Tu que rodopias, leve,
no desdobrar de seda
que paira neste vento de música
que só as pétalas entendem...

Tu que...
_________(Ah! tu que me pesas nos braços
como se trouxesses um esqueleto de lágrimas
e uma bola de metal no coração
ferrugenta do meu remorso.)»
(de José Gomes Ferreira) (pág.29)


Poezz - Jazz na Poesia em Língua Portuguesa, de Vários Autores (Selecção e Textos de José Duarte e Ricardo António Alves), da Almedina (Pavilhões 36 e 37 em Lisboa; I-6 no Porto, 1º edição (Maio de 2004), pvp: 20,00€


P.S.: Com estes posts da Colheita Feira do Livro 2005, trago até aqui uma pequena apresentação dos livros que desde 25 de Maio têm vindo a percorrer o caminho que se faz do Parque Eduardo VII até às minhas estantes (e pilhas), lançando assim pistas para o muito que lá há para descobrir. Até 13 de Junho a Feira espera por todos nós.

domingo, maio 29, 2005

sábado, maio 28, 2005

Feira do Livro: dia 4

Destaques em Lisboa:

O Dia em Que Troquei o Meu Pai por Dois Peixinhos Vermelhos

Os Lobos nas Paredes

ambos de Neil Gaiman e Dave McKean, editados pela Vitamina BD, Livros do Dia no pavilhão 152


Valsa Negra, de Patrícia Melo, editado pela Campo das Letras, Livro do Dia nos pavilhões 167 e 168


Apresentação de Vernon Little, o Bode Expiatório, de DBC Pierre, da Gradiva, às 17h00, no Auditório, com a presença do autor


Lançamento de Gato Fedorento: O Blog, de Miguel Góis, Ricardo de Araújo Pereira, Tiago Dores e Zé Diogo Quintela, editado pela Cotovia, às 21h30, no Auditório, com a presença dos autores

quinta-feira, maio 26, 2005

Feira do Livro: dia 2

Destaques nos livros do dia em Lisboa


A Condição Humana, de André Malraux, da Livros do Brasil, no pavilhão 30


Território Comanche, de Arturo Pérez-Reverte, da Presença, no pavilhão 53

quarta-feira, maio 25, 2005

Bem-vindos à Festa do Livro

A partir de hoje, e durante quase 3 semanas, as Feiras do Livro de Lisboa e do Porto recebem todos os apaixonados pelos livros.

Primeiros destaques nos livros do dia:


História da Literatura Portuguesa, de Óscar Lopes e A.J.Saraiva, da Porto Editora, no Pavilhão 24 da Feira do Livro de Lisboa


O Porto na História do Cinema, de Sérgio C.Andrade, também da Porto Editora, no Stand F-9 da Feira do Livro do Porto

Até lá!

terça-feira, maio 17, 2005

Esta 6ª feira nasce uma livraria em Lisboa

Meus amigos, apresento-vos Bocage:

Auto-retrato

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades,

Eis Bocage em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.


E apresento também uma nova livraria:



A partir da próxima semana, a nova livraria Almedina terá a sua porta aberta de 2ª a 6ª feira, no horário 09h30-14h00 e 15h00-18h30.

Até lá :)

sexta-feira, maio 13, 2005

Prémio Camões 2005 atribuído a Lygia Fagundes Telles

O Prémio Camões deste ano foi atribuído à escritora brasileira Lygia Fagundes Telles (sucedendo a Agustina Bessa-Luís), que recentemente comemorou o seu 82º aniversário e que tem uma vasta obra publicada.

O júri desta 17ª edição, composto pelos escritores António Carlos Sussekind (Brasil), Ivan Junqueira (Brasil), Agustina Bessa-Luís (Portugal), Vasco Graça Moura (Portugal), Germano de Almeida (Cabo Verde) e José Eduardo Agualusa (Angola), tomou esta decisão por unanimidade, e a cerimónia que formalizará a entrega do prémio decorrerá no dia 10 de Junho, em Portugal.

O Prémio Camões foi criado em 1988 pelos Governos de Portugal e do Brasil, com o objectivo de distinguir um escritor cuja obra tenha contribuído para o enriquecimento dos patrimónios cultural e literário em língua portuguesa.



Em Portugal, as obras de Lygia Fagundes Telles foram todas editadas pela Livros do Brasil, mas várias delas estão esgotadas, como por exemplo este Antes do Baile Verde.
Neste momento apenas estão disponíveis A Estrutura da Bola de Sabão (que tem um prefácio de Mário Soares) e A Noite Escura e Mais Eu.







Existem outras duas edições portuguesas que incluem a participação desta autora, ambas publicadas pela Dom Quixote.
Intimidades chegou muito recentemente às livrarias, e traz-nos 10 contos eróticos criados por 10 escritoras, cinco portuguesas e cinco brasileiras.
Antes da Meia-Noite é uma antologia de contos relacionados com a passagem de ano, e que também inclui contribuições de autores portugueses e brasileiros.



Apesar de não ser uma edição portuguesa, este Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século também se encontra facilmente nas nossas livrarias. É uma muito boa introdução no universo da narrativa curta que se faz naquele país, com a vantagem de nos trazer autores consagrados, mas também ilustres desconhecidos, pelo menos da grande maioria dos leitores portugueses.







Links:
site oficial da autora
Portal Literal
Releituras
"Ambiguidade e ironia em Lygia Fagundes Telles" - Urbano Tavares Rodrigues
Muita Letra: Lygia Fagundes Telles, a vida conto a conto
Muita Letra: A vida é uma ciranda

- Aleluia!
Tive vontade de agarrá-la num abraço e atirá-la no ar tão porosa, tão leve, os panos abertos em asas, adeus, Ifigênia! Estou subindo longe, nuvens, estrêlas, já estou além dos astros! Solidão, solidão, ai! que aqui faz frio. Mas tem Deus, não tem Deus, hem, minha irmãzinha? Se tem Deus não tem solidão, é música, é calor, é afago, mão passando de leve na carinha que nem existe em corpo nem velhice nem infância, só Deus. Só o Deusinho, boa noite, Bula. Boa noite.
- Estou apaixonada, irmã.
- Resfriada?
- Também – respondi tirando o lenço do bolso do pijama. Ela é surda como uma porta, a gente precisa falar num tom acima do normal, o que é meio cansativo. Além do mais, na maioria das vezes as palavras lhe entram por um ouvido e saem pelo outro como uma revoada de andorinhas. Enfim, a companhia ideal. Pisquei-lhe o ôlho e ela sorriu, os dentões de porcelana rosada exibindo-se na plenitude. "Ser feliz é viver na plenitude o momento presente", disse um padre velhinho com uma expressão de quem era feliz em todos os seus momentos.

segunda-feira, maio 09, 2005

Passatempo pilha: A menina da selva

Na edição do dia 23 de Abril último, a revista Única do jornal Expresso publicou uma reportagem intitulada A menina da selva: «Sabine Kuegler viveu dos 5 aos 17 anos na selva da Papua Ocidental. Aos 32 ainda não se habituou à civilização. Conta tudo em livro."

Com 5 anos de vida, até então passados na Alemanha, Sabine viu-se emigrada para um planalto perdido na zona Leste da Indonésia, a morar numa "cabana de madeira, sem portas nem janelas, assente em palafitas, numa clareira entre a margem do rio Klihi e a selva quase impenetrável", e a obter uma noção de vida completamente diferente.
"A pele habituou-se ao calor, os pés desacostumaram-se dos sapatos, o corpo da roupa, e a menina ocidental aprendeu a falar singsang, a caçar de arco e flechas envenenadas, a nadar em águas infestadas de crocodilos - «eles não mordem debaixo de água» -, a atear fogo sem fósforos, a saber as horas pelos barulhos dos diferentes animais, a descansar sempre perto de uma árvore para ter refúgio rápido em caso de ataque de javalis."

Aos 17 anos, e após os estudos ditos ocidentais terem até então decorrido com a ajuda de manuais escolares que eram enviados com regularidade, Sabine é enviada para um colégio interno na Suíca: «Foi a primeira vez que entrei verdadeiramente em choque».

Hoje, aos 32 anos, Sabine parece já ter encontrado um rumo para a sua vida: criou no ano passado a editora Earth of Dreams, «com a qual pretende produzir documentários, livros e artigos sobre regiões exóticas da Terra. O seu livro da selva é o primeiro produto promocional. Aquando do lançamento, em Fevereiro, na Alemanha, ascendeu imediatamente a número um de vendas». Enquanto isso, o site serve também para promover a venda do triplo cd da menina da selva, que tem um site muito bem construído, onde inclusivamente se pode ver uma entrevista e ouvir excertos dos discos.

A pergunta óbvia (Quem vai interpretar o papel de Sabine no filme?), deixamos nós para outro local e outra oportunidade. Por isso, o primeiro passatempo promovido pelo pilha é bem mais simples: que editora portuguesa já se adiantou a todas as outras (sim, não acredito que os nossos olheiros editoriais ainda não tenham descoberto esta preciosidade) e garantiu os direitos para mais um best-seller garantido à nascença? Aceita-se apenas uma resposta por pessoa (a depositar na caixa de comentários abaixo), e quando soubermos quem acertou, o pilha terá todo o gosto em oferecer um exemplar de O Livro da Selva ao feliz vencedor.

Boas leituras :)