BARMAN: Depende.
JÚLIO CÉSAR (sentando-se ao balcão): Esta música...
BARMAN (interrompendo-o): Se há uma palavra que eu odeio, é “depende”. “Depende”... É uma palavra capaz de tornar uma conversa interessante numa coisa mole, sem coluna vertebral, sem força, sem nada...
JÚLIO CÉSAR: Não te sabia tão filosófico.
BARMAN: Deformação profissional... Uísque, cerveja?
JÚLIO CÉSAR: Vinho tinto.
BARMAN: Não te sabia tão filosófico.
JÚLIO CÉSAR (sorrindo): Um dia não são dias...»
(págs. 68 e 69)
Continuamos nos palcos, desta vez com uma peça escrita por Jacinto Lucas Pires e editada pela Cotovia em 1999, que viria a ser interpretada no Teatro Nacional de S. João, no mesmo ano, com encenação de Ricardo Pais. (a página)
Júlio César é um jovem com uma carreira profissional dividida entre os Ovos Rodrigues e a loja de perucas, uma vida amorosa cheia de equívocos e desencontros, e com uns amigos muito peculiares. Para além disso, tem uma aversão a palavrões que o metem nas mais curiosas situações...
Pormenor curioso nesta história são as músicas que Júlio César e Dores cantam um com o outro (e um ao outro), dessa mítica banda, os Wafers... Quem? Os Wafers, que criaram os grandes sucessos “Lying” e “Miss Police Woman” :) Mais pormenores sobre esta banda criada para a peça no site mp2000.
Em suma, só posso acrescentar que gostei muito, e que me deu muita pena de não a ter visto em palco...
Arranha-Céus, de Jacinto Lucas Pires, da Cotovia, 1ª edição (1999), 120 pág., pvp: €9,98
«A rua do Vendedor de castanhas, de tarde. Chove, Júlio César protege-se debaixo do guarda-chuva do carrinho do Vendedor. Vão passando pessoas.
(...)
VENDEDOR: ...O cágado chamava-se Pascoal. “Pascoal, olha a tua casa nova. É muito bonitinha, não é? Hã? Não achas?” ... A minha Rute... Penso sempre nela quando chove. (Breve pausa) A vida é mesmo uma merda.
JÚLIO CÉSAR: Não diga isso.
Pausa
VENDEDOR: ...Sim, tem razão. Há coisas boas...
JÚLIO CÉSAR: Não, é que eu não suporto palavrões.
VENDEDOR: ...Como?
JÚLIO CÉSAR: Fazem-me nervos...
VENDEDOR: Peço desculpa, foi sem intenção. (Pausa) Não há maneira de parar...
JÚLIO CÉSAR: O quê?
VENDEDOR (a apontar em frente): ... A chuva.
JÚLIO CÉSAR: Pois é.»
(págs. 74 a 76)
"O Amor de Longe" ("L'amour de loin"), de Amin Maalouf (trad. António Pescada), Difel 2003 (Éditions Grasset & Fasquelle, 2001), 1ª edição, 88 pág., pvp.: €8



Ensaios Facetos, de Abel Barros Baptista, Livros Cotovia, Ensaio, 148 pp., preço de capa: 12,00 Euros
O Vôo da Madrugada, de Sérgio Sant’Anna, Livros Cotovia, Ficção Brasileira, 240 pp., preço de capa: 14,00 Euros
«Para um homem da sua idade, cinquenta e dois anos, tem resolvido bastante bem, segundo ele, o problema do sexo. Nas tardes de quinta-feira vai de carro até Green Point. Pontualmente, às duas da tarde, carrega na campainha da entrada para a Windsor Mansions, diz o nome e entra. À sua espera, à porta do 113, está Soraya. Dirige-se directamente para o quarto, que tem um cheiro agradável e uma iluminação suave, e despe-se. Soraya da casa de banho, deixa cair o robe e, deslizante, deita-se na cama a seu lado. - Tiveste saudades minhas? - pergunta ela. - Tenho sempre saudades tuas - responde ele. Acaricia-lhe o corpo cor de mel no qual o sol
não deixou marca; estende-a e beija-lhe os seios; fazem amor.»
Count Vlad, Bram Stoker e Henry Irving
ponto de ponto de ter dado ao seu filho o nome de Irving Noel Stoker. Dracula, nesta linha de raciocínio, é uma miscelânea de transferência homoerótica.
Também Lars Saabye Christensen falou ao Mil Folhas desta semana, num
"Escrevo para não me meter nos copos, para não dar em doido", ou de como Rui Araújo reagiu à sua saída da RTP, após 4 anos na "prateleira". Este é já o seu segundo livro, segunda incursão nos meandros do romance policial.
Há uns tempos atrás falámos aqui do livro "
«Mas não gosto muito de escrever, não sinto prazer. Tenho mais facilidade em encontrar os erros dos outros do que meus. Tenho de corrigir dez mil vezes cada página. Em voz alta, para perceber a musicalidade.
"Ma Yan tem catorze anos e vive na província de Ningxia, no noroeste da China. Filha de camponeses pobres, sabe desde cedo que a espera uma vida difícil. Porém, quando se apercebe de que os pais não têm meios para a manter na escola, todos os seus sonhos se esfumam.
Vejamos as coisas por este prisma:
O novo livro de José Saramago já chegou às livrarias e delas tem vindo a sair a grande velocidade. O Nobel da literatura português é hoje, mais que nunca, um impressionante fenómeno de vendas, e este Ensaio sobre a Lucidez (
O Grande Peixe (Big Fish: A Novel of Mythic Proportions), de Daniel Wallace (trad. Ana Falcão Bastos), da Temas e Debates, Março 2004 (1ª edição; ed. original: 1998), 175 págs., pvp: 15,95€